Às vezes me perguntam de onde tiro tudo que escrevo. De certo não vivi todas as minhas letras. Nem nunca fui tão triste, nem tão feliz. Mas nunca soube dizer de onde tudo vem. Em certos momentos até eu quero saber. Olho para o papel, vejo as palavras e pergunto de onde elas vêm. Elas nunca me respondem, então eu tento inventar. Dizer que vêm de D’us não satisfaz alguém tão cético quanto eu. Dizer que saem da minha cabeça é prepotência demais até mesmo para mim. Olho para o meu ombro, desço pelo braço, antebraço, dedos, unhas e olho como o detetive que encontra o bandido. Faço minha melhor cara de mau e dou voz de prisão à caneta que corre pelo papel. Encontrei meu culpado, achei minha caixa de Pandora. Devo trancafia-la de vez ou inundar o mundo com todo tipo de aberração que existe lá dentro. Penso bastante nos prós e contras de tudo isso, mas deixo a caneta correr...
Loucuras e sandices descritas de uma maneira tanto normal qto fora de pespectiva. Um amontoado de palavras q busca trazer consolo, alegria, tristeza e qlqr sentimento q se qeria passar p qm passar...
terça-feira, 7 de julho de 2009
Investigação
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Pleine de grâce
Eu disse “alô”. Do outro lado do telefone saiu uma voz que eu jurava que nunca mais iria ouvir. Pedi para que meus ouvidos estivessem me enganando e perguntei para ter certeza. Um “quem é” de quem já sabe quem é.
Sim, era ela. Falou seu nome como se eu tivesse obrigação de ter lembrado. Tentei desconversar com um “ah, mas faz tanto tempo”. Gaguejei mais vezes do que podia ou devia.
Puta merda, era ela. O que queria? Para que inferno foi me ligar? Perguntou como eu ia. Não como eu estava, mas como eu ia. O que alguém quer saber quando pergunta como se vai? Eu disse que ia como sempre, um pé na frente do outro. Devagar. Sempre para frente. Bom, às vezes para os lados, principalmente quando preciso desviar de quem vem na contramão.
Ela riu. Eu lembrei daquele riso. Era só meu. Só usava quando eu falava bobagens para ela rir. Ela usou exatamente aquele riso e felicitou por estar bem.
Corrigi, claro. Disse que ela tinha perguntado como eu ia e não como estava. Como sabia se eu estava bem. Ela disse que só sabia e perguntei porque ela ligou se sabia. Disse que queria ter certeza.
Alguns minutos de silencio.
Ela disse para eu falar. Eu perguntei “o que”. Ela disse para falar qualquer coisa e perguntou se eu não queria saber como ela estava ou como ia. Eu respondi que não queria saber nem uma coisa nem outra. Fui sincero. Duro, mas sincero. Tentei não fazer, mas fui sincero.
Ela disse que então tava. Mais silencio.
Ela ia começar a falar e eu também. Ela foi educada e me deu a vez de falar. Eu disse “tchau”. Assim só tchau. Daquele jeito regionalista quase esquecendo o tê. Ela disse tchau e ia dizendo beijo, mas desistiu no be e disse abraço.
Depois eu só ouvi “tuuuuu” de outra voz mais conhecida. Demorei algum tempo escutando isso, como se esperasse a voz dela voltar. Não voltou.
Fui para o meu quarto, deitei na cama, procurei um cheiro que estava sentindo na memória e então durmi.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Mais sobre o tempo
Quando se sabe que o tempo passou?
Que o presente virou passado e que as feridas se fecharam?
Elas fecham mesmo ao perdem a sensibilidade?
Voltam a doer por serem tocadas ou por serem reabertas?
E quando a dor das feridas vira prazer, é por que o tempo passou ou porque se vira masoquista?
O tempo é problema e solução.
O tempo é motivo para o fim do amor, da vida e também do sofrimento, da dor...
O tempo é medico e doença.
- Dr Tempo, eu vi aqui no seu consultório porque fui acometido do mal do tempo. Estou com todos os sintomas. Saudade das décadas do passado distante, ódio pelos anos do passado próximo, dormência nos dias do presente e peso para chegar às horas do futuro. Creio já esta em fase terminal devido a intensidade dos sintomas doutor. O que devo fazer? Isso tem remédio?
- Tem sim! Sente e espere. O remédio tempo vai fazer efeito logo e você nem precisa tomar.
sábado, 6 de junho de 2009
Sobre a influencia dos astros
Era um lugar separado. Grades. Tudo isso no meio de uma grande casa de alegria. Um lugar separado para aqueles que têm o mau costume de respirar fumaça. Estava eu lá. Fazendo companhia a solidão dos outros.
Outros estranhos exibindo suas roupas mais chamativas, de mais personalidade de que os próprios donos. A fumaça enchia a sala saindo dos palitos brancos de ponta vermelha. E eu estava lá. Sozinho. Fazendo companhia a solidão dos outros.
Suguei um pouco da fumaça. Esperei que ela corresse no meu sangue e soprei boa parte num jato uniforme. Na nuca os efeitos da fumaça começam a surgir lentamente. Um formigamento, a cabeça mais leve. Assim os pensamentos voam mais rápido.
Eu tento acompanhar todos. Só tento, sem conseguir. Na verdade minha meta era só tentar mesmo. Alcanço um e fico ruminando ele por alguns momentos. Solto e pego outro e mais outro e outro... me percebo só com meus pensamentos. Fazendo companhia a solidão dos outros.
Penso em quase tudo. Quase tudo. Só não acompanho todos os pensamentos. Eles vão passando, se misturam a fumaça que se mistura com a fumaça dos outros e sai pelas janelas. Fora, Pedro é que faz a festa. Esta tudo molhado. O céu, os telhados, as paredes, os carros e até os paralepípedos estavam molhados, úmidos. Minha boca estava seca. Por causa da fumaça talvez, ou por estar só. Fazendo companhia a solidão dos outros.
Penso em que poderia quebrar tudo isso se não eu. Quem poderia transformar minha charneca num jardim. Um jardim que tivesse ao menos um pouco mais de cor. Um jardim que tivesse ao menos uma Rosa. Seria assim eu cuidando da Rosa e ela fazendo da minha solidão algo de um passado distante. Ficaria ela e eu deixando na solidão a solidão dos outros.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Num tributo a Bob Marley
Suas mãos em meu rosto me chamaram implicitamente para um beijo. Mesmo que não quisesse seria impossível resistir e como eu queria! Acordei ainda com o peso da noite anterior na cabeça e ainda sonhando que esse momento poderia acontecer. Tomei banho pensando nisso, me vesti pensando nisso. Até não vesti a roupa que ela me pediu só para enganar que não estava pensando nisso. Enganar a quem? Somente a mim lógico.
Cheguei mais cedo que o normal, fiz mais amigos que o normal e ela não chegava. Decidi que devia aproveitar a festa e ela não iria chegar ou não iria me achar como em vezes anteriores.
Errei! E como adorei aquele erro. Ela me abraçou, beijou-me o rosto falou depois saiu. Reencontramos-nos e mudamos de festa.
Conversamos, bebemos, encontramos amigos, andamos e quando não me lembro o que vi que suas mãos em meu rosto me chamaram implicitamente para um beijo. Mesmo que não quisesse seria impossível resistir e como eu queria!
Beijei! E o mundo sumiu, a musica parou, o calor num era mais nem frio. Eu só sentia minha mão nas costas dela e dela na minha nuca. Sentia nossos lábios. Sentia o coração, não o meu. Sentia nossos sentidos, por vezes um, por outras um milhão e não quis mais parar de sentir...
...acordei vendo o nascer do sol em plena segunda-feira nublada as seis da manhã...
quinta-feira, 28 de maio de 2009
A infelicidade de ser D'us
Ah meu D... É isso!
Talvez seja de uma fé num d'us que eu precise. Um d'us exigente e caprichoso que me faça seguir pelo caminho de suas maravilhas frivolas, por entre as pontes do arco-iris ate um pote de conformismo. Um ser que me presentei com bitolas douradas, corte-me as asas, ate minhas maos e pes e me proiba de pensar e criar.
O sofrimento veio a Adão e Eva quando eles quiseram produzir e serem criativos. A magica da vida é acompanhada com todo tipo de paradoxo torturante. Ser um d'us não é assistir a desenvoltura de uma fazenda de formigas, e sim, sentir toda a dor necessaria para se criar algo mais e ouvir alguem comentar do outro lado do vidro:
- Não é lindo?
- É a cara do pai!
"Entrego-vos meu novo mandamento:
- Eu sou meu D'us, não amarei outro se não a mim."
Olhares
Depende somente do angulo da luz, do angulo de qm olha...
É mais geometria do que vida...
A vida poderia ser mais matematica do que é normalmente...
Mas ai não seria vida... Seria uma tabela de cossenos...
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Cretinice
Virou-se e o resto do corpo foi acordando. De baixo para cima. Começou sentindo os pés, grandes demais para o resto do corpo. As pernas finas e peludas deram sinal de vida. O joelho, ainda machucado pela queda no fim de semana, se mostrou presente. Depois foi a vez das coxas flácidas e magras, seguidas pelo pênis rígido pelo amanhecer. A barriga seca acordou junto com o peito formado quase pelas costelas apenas. Dando continuidade o pescoço despertou para que todo corpo se unisse a cabeça grande e oval.
Completamente acordado (ao menos no que se refere ao físico) ele levantou e foi ao banheiro. Urinou por mais tempo do que fazia no resto do dia, seu pênis finalmente ficou flácido. Ficou próximo ao chuveiro e mesmo com ele aberto pensou algumas vezes antes de ficar sobre a água fria. Tomou coragem e o fez. Tomou um banho rápido, se enrolou na toalha sem se enxugar como devia e foi para frente da pia. Escovou os dentes até as gengivas sangrarem. Depois escovou os cabelos com menos empenho.
Saindo do banheiro ainda pingando a água do banho, pegou a primeira cueca limpa que estava na gaveta entreaberta. Vestiu. Depois vestiu uma caça de jeans azul escuro. Atou o cinto. Passou desodorante nas axilas, daqueles com uma bolinha na ponta. Abriu outra gaveta e demorou um pouco escolhendo uma camisa. Acabou por vestir uma camisa preta com detalhes azuis. Velha, mas não aparentava tanto. O tênis completou o vestuário do dia. Pos perfume, pegou a bolsa e saiu.
Foi andando até o ponto do ônibus, passou pela vizinha fofoqueira e deu seu bom dia falso, recebeu um quase tão falso. Acenou para o jornaleiro. Atravessou a avenida e finalmente chegou ao ponto. Após cinco minutos de espera achou estranho que tão poucas pessoas estavam esperando a condução. Mais doze minutos e ele resolveu olhar o relógio. Só então percebeu que era domingo e não teria expediente no trabalho.
Voltou pelo mesmo caminho. Acenou novamente para o jornaleiro, a vizinha não estava mais na rua. Entrou em casa, voltou para quarto, tirou toda a roupa. Toda mesmo, ficou completamente nu. Deitou na cama ainda quentinha, se cobriu com o lençol que ainda guardava seu cheiro e se entregou aos braços de Morpheu para o sono dos justos. Afinal de contas era domingo e não teria expediente no trabalho.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Uma Rosa entre as Margaridas
Por que não posso eu querer a Rosa por assim ser
Escolho a Rosa que não é rosa só se faz parecer
Sendo mesmo uma Dália, uma Orquídea ou qualquer outra flor
Escolho o cheiro não pelo perfume e as pétalas não pela cor
Escolhi aquela que não se mostra e sim, capta a pose
Escolhi para minha flor não a Rosa rosa, mas a rosa Rose
Perdi-me a enganar-me no seu nome como todo mundo se engana
E quando meu peito bate não sei se bate Rose ou se bate Rosana
terça-feira, 5 de maio de 2009
Para um beija-flor de Venus...
Lembra a cor das minhas pétalas Beija-flor, antes do teu beijo?
Lembra do cheiro antes de sentir teu cheiro?
O rubor brilhante da minha fronte Beija-flor é fruto do teu beijo.
E o cheiro doce que espalho não é o meu, mas o teu cheiro.
Desejo Beija-flor o toque aligeiro dos teus lábios com o fascínio do brilho das tuas asas.
Desejo Beija-flor o toque do teu beijo para sobrepor minha cor por entre as dálias.
Nada sou Beija-flor sem teu mágico toque de beleza.
Nada sou Beija-flor se distante você esteja.
Eu só quero Beija-flor ser a flor do beijo.
domingo, 3 de maio de 2009
Sobre o tempo
Não quero alguém para gastar meu tempo, quero alguém para dividir minhas horas.
Alguém para quem eu não seja um peso quando estiver no seu colo, que eu não seja um chato quando precisar falar minhas besteiras.
Alguém que me diga não as vezes e que me diga sim as vezes.
Alguém que me acompanhe nas loucuras.
Quero alguém que após me presentear com uma linda gaiola vá ate a porta dela abra e jogue a chave fora.
Quero alguém com quem fazer amor com todo carinho e depois fazer sexo como animais.
Eu quero o que Adão queria quando recebeu Eva e perdeu a costela.
Quero ter passos ao meu lado quando resolver andar sozinho.
Quero companhia para uma farra na sexta a noite e para uma tarde preguiçosa de domingo.
Não quero alguém para gastar meu tempo, quero alguém que fala valer os movimentos dos ponteiros do relógio, ou que os faça parar com um abraço.
sábado, 2 de maio de 2009
Já que distante
O que posso falar de certeza quando falo dela? Nada! Não sei do que ela sente não sei suas vontades, seus sentimentos. Quando se fala dela surgem inúmeras duvidas. Será gosta? Será que quer? Tem saudades? Só uma certeza há quando se refere a ela: eu me sinto distante fisicamente.
Tudo que se refere dela a mim tem o formato de uma grande interrogação, como um coração divido ao meio. No entanto se tudo fosse uma exclamação gritante com certeza minhas certezas seriam um tanto diferentes.
No momento fica a falta, a necessidade, ligo mais tarde e ouço sua voz. Vai ser um tanto aliviador a ouvir falar qualquer coisa daquela forma como se nada tivesse a divida importância. Como será bom...
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Novidades
Juntei passagens de um passado distante e as experiencias do presente e criei o
"Cartas de um desromance de cartas"
que pode ser acessado via: http://desromancedecartas.blogspot.com/
"Cartas de um desromance de cartas" traz cartas de alguem que se denomina Rei de Espadas para um amor do passado que ele cita como Rainha de Copas. Nessas cartas o Rei tenta explicar o que sentiu e o que sente agora a respeito de sua Rainha. Nem sempre ele consegue claro.
Que fique bem claro que esses textos sao ainda mais fictivos que estes que voces encontram no "Phrases Despheitas". E por falar nele, o "Phrases Despheitas" continua e farei o possivel e o impossivel para que fique melhor a cada dia.
Sem mais no momento.
Abraços a quem me lê.
terça-feira, 28 de abril de 2009
O Tagarelão
Cheguei com a chuva, assim como se fosse um relâmpago. Não pelo brilho, nem pela força, muito menos a velocidade, só porque cheguei com a chuva. A mala nas costas, as obrigações à frente e o coração deixado para traz. Volto a ser mais uma engrenagem da maquina. Olho ao redor e enquanto chego as outras engrenagens já estão se dirigindo as suas posições na maquina. Olho para trás e me da vontade de voltar, na verdade eu sinto vontade é de não ter voltado. Deixar as certezas frias pelas duvidas calorosas. Novamente olho para frente e para traz. Tento escutar meu coração. O que ouço só me da mais certeza de que é melhor entrega-lo a quem não sabe o que fazer com ele a entregá-lo a quem não sabe o que ele é.
Abro os olhos e decido que cheguei e pronto. Então a vontade de ir novamente para la se reaquece. Volto a contar os dias. Torço para que aquele relógio já tenha sido consertado, ou que nunca tivesse quebrado. A verdade é que cheguei mesmo. Cheio de duvidas e desejos. Chego apenas com a certeza da rainha vermelha: “É necessário correr e mais correr, com o maximo da velocidade, somente para permanecer no mesmo lugar. Se você quiser chegar a algum outro ponto, deverá correr pelo menos com o dobro da velocidade.”
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Fiado só amanhã
Lembro das cores dela. Olhos, cabelos, os sinais da pele, os lábios. Na minha cabeça faz tanto tempo que nos vimos, parecem meses, anos. Talvez seja. Mesmo assim lembro das cores e de cada lugar que as cores estavam.
Fecho os olhos e as lembranças ficam mais fortes. Uma musica significativa passa a tocar no meu ouvido. Não foi magia, mas sim o radia no meu bolso. Lembro de não me incomodar de ser menino e querer ser um homem, às vezes ate conseguir. Lembro de olhares que falaram mais que quaisquer palavras. Risos. Sorrisos. Abraços. Passos.
Abro os olhos na esperança da cor da lembrança ter infectado o resto do mundo, mas tudo continua cinza. Atravesso a rua vendo os carros mudando de posição sem os pneus rodarem. Fica o desejo de um novo dia talvez o sonho traga as cores que desejo e amanha os pássaros batam as asas para voar...
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Crônica do amor
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Arnaldo Jabour
terça-feira, 14 de abril de 2009
Mantra
Sou feliz por que amei, por que sorri, por que me ergui. Por que fui beijado, por que fui aceito, por que venci. Por que fui amado.
Mas estive triste quando odiei, quando chorei, quando cai. Quando fui estapeado, quando fui negado, quando perdi. Quando fui rejeitado.
Veja que a felicidade esta na razão dos porquês enquanto a tristeza esta no momento dos quandos.
Hoje nos vemos tristes, mas nos lembramos felizes ontem. Amanha também vai ser assim.
Por isso sou intenso, porra-louca mesmo. Estampo o brilho do sol no sorriso e choro com a chuva (na verdade deixo ela chorar por mim). Eu quero mais é o mais. Quero rimar minhas musicas e cantar meus poemas. Pintas minhas fotos, clicar minhas esculturas e esculpir meus quadros.
Sempre para frente, buscando os brilhos nos olhos alheios, o calor dos abraços e a satisfação das risadas.
Eu quero tudo, o que mais poderia querer?
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Eventual
Pois bem...
Nem tudo que se tem escrito aqui sou eu hoje. Muita coisa são eus do passado e outras são eus que nunca existiram. Utilizando desse senso de multiplicar eus, tomo as palavras do porta que melhor fez isso:
"O poeta é um fingidor
Fingi tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente"
Sei que estou meio distante de ser um "poeta", mas tambem sou alguem que sente pelas palavras e descubri que as pessoas sentem pelas minhas.
Sendo assim, meus amigos, quando se verem tocados pelas minhas palavras saibam que nem sempre sou o eu-lirico da trama, mas serei sempre eu tocando de voces. Se não puder ser com abraços, que seja com sentimentos.
sábado, 28 de março de 2009
Maquiavelismo
- Às vezes sinto saudade de você.
Como resposta me perguntei assim “entre os dentes”:
- E o que você faz nesses momentos?
Respondi com uma sinceridade quase divina:
- Antes eu ficava triste, ate chorava, mas hoje... eu sento e espero tudo passar.
Novamente me questionei:
- E quando passa o que você faz?
Respondi:
- Eu sigo em frente.
Não houve mais questionamentos e eu voltei a ser ignorado. Minha vida era bem mais colorida do lado de lá do que do de cá, por isso não achei errado o que ele fez. Observando melhor a situação, cheguei ate a pensar que tinha imaginado ter ouvido aquelas perguntas. Acho que não perderia meu tempo com esse tipo de conversa. Não no passado. Com certeza devo ter imaginado.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Visoes
quarta-feira, 25 de março de 2009
Charneca do talvez
É tudo tão imenso que certo vira errado, e o errado perfeiçao. Muitas vezes é tão grande que passa dispercebido, ou incomoda como flerpa na unha.
E me prendendo mais agora que ou todo. Me vejo com a sorte de quem aposta num dado viciado. Tendo sempre seis chances, sabendo vai dar uma (sempre essa uma) teimo a apostar nas outras cinco. É preciso muita coragem para sim. É preciso muita coragem para burro, agir como burro e pensar como burro de proposito e repetidas vezes.
Fico na expectativa sutil de trocar para meu dado, aquele caotico. De seis lados e infinitas possibilidades. Quero todos os talvez, depois quero todos os sins. So assim entao chegar e olhar naqueles olhos de acaso, olhos de momento, de desespero e porens e dizer não a ela. Dizer não a ela no lugar de dizer ela ao não.
terça-feira, 24 de março de 2009
Estamos com fome de amor
Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.
Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".
Antes idiota que infeliz!
Obrigado por me enviar isso Luciana, concordo em grau, numero e genero!
segunda-feira, 23 de março de 2009
Paradoxo
Sei é que me Sancho Pança olha para mim e diz: "Faz tanto tempo que tu não vê sol que estais é amarelo!"
sexta-feira, 20 de março de 2009
Reencontro
Fui direto para a cama, li um pouco e durmi. Então ele veio, converçou comigo. Nos saimos,
fizemos coisas juntos. Coisas que faziamos em tempos menos cinzas. Coisas de pai e filho. Passamos todo um dia juntos. E as 5:12 da manhã ele foi embora. Acordo aos prantos por sua mais recente ida e por toda a sua falta.
Quanta saudade! Um dia só não mata tanta saudade.
"Voce sabe que voce é meu idolo!"
quinta-feira, 19 de março de 2009
Percebições
ME BATE FRIO NO CANTO DOS OLHOS
MEU SORRISO É BANHADO POR LAGRIMAS
AINDA ESTOU SOZINHO
MESMO COM TANTOS E TAO BONS AMIGOS
A Dama de 1000 nomes
ALGUEM DO PASSADO ME VIU CONTENTE
E PERGUNTOU O NOME DELA
ELA AINDA NÃO TEM NOME
NÃO TEM ROSTO
NEM CARNE
NEM OSSOS
ELA NÃO QUER SER ELA
ELA ESTA LONGE DELA
ELA TEM MEDO DE SER ELA
ELA NÃO SABE QUE É ELA
O NOME DELA É DUVIDA
ELA TEM TANTAS CURVAS QUANTO UMA INTERROGAÇAO
OS OLHOS DO MISTERIO
COM COR DA IMPRECISAO
E COBERTO POR TINTAS DE ILUSAO
TEM A BOCA MASCARADA POR OUTRAS CORES
LABIOS DE DESEJO E PERJURIA
O SEU COLO TEM VARIOS PERFUMES
MAS NENHUM É DELA
SEUS DIAS SAO DE UM CANSAÇO OCIOSO
DIAS DE VENCER BATALHAS JA PEDIDAS
EU RESPONDI QUE ELA NÃO EXISTIA
NÃO EXISTIA AINDA
MAS SEI QUE ELA EXISTE
E SE FAZ PRESENTE NOS MEUS DIAS
EU APENAS NÃO SEI NADA DELA
segunda-feira, 16 de março de 2009
Reflexo
O mesmo brilho dos olhos são outros.
A mesma expressão das sobrancelhas é outra.
O ritmo da voz. O senso de justiça tão caótico.
O certo. O errado. Os meios termos.
“A verdade” agora são “as verdades”.
O “para sempre” dura segundos. O “eterno”, piscar de olhos.
O caminho não deixa rastros. Tudo que é bom segue com quem o acompanha. Tudo que é ruim vira uma lição.
Liberdade é lei. A lei é a felicidade. A meta é o sorriso. O desejo é mais um passo.
O paraíso esta em cada abraço.
Em cada esquina um amigo. Inimigos, quem são?
O mal é o equilíbrio do bem.
O que quebrou foi remendado. O que foi destruído, reconstruído esta.
As flores que morreram, hoje são adubo para o jardim que cresce cada vez mais colorido.
Tudo é tão grande que o infinito cabe numa caixinha de fósforo.
Olho no espelho e não vejo quem eu via no ano passado.
domingo, 15 de março de 2009
Precioso
Que hajam mais dias juntos ou proximos.
Que o futuro seja manso.
Que os relogios nos satisfaçao.
Que o presente faça jus ao proprio nome.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Labirinto
Descubri que sou nostagico. Um fissurado no passado. Vivo a certeza maquiavelica de o passado foi melhor que o presente. Toda via, invisto minhas esperanças no fato que o futuro sera melhor. Nisso eu invisto pesado e sem pena. Abandono meu lado economista e assumo um ar de jogador. "Tudo no vermelho 27!"
O dia segue na base das descobertas. Espero novas. Adoro novidades e descobertas sao novidades. Quem passem as horas e venham boas e mas novas. Se a vida nao é clara vou tatear no escuro ate descubrir o que tudo... tudo mesmo.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Sede
Mesmo sendo palavras jogadas.
Mesmo estando soltas no espaço.
Mesmo que elas fossem suas e só suas. Eu as queria para mim.
Tirei-as do espaço e pus no papel. Ainda que fisicamente eles tivessem comigo ainda não eram minhas. Eu apenas as encarcerei num paraíso branco.
Eu não queria as palavras, mas sim, as palavras. Toda sensação de breve que elas falavam. Todo o não saber. Todo o saber. Todo o querer.
Estou pensando tuas palavras e por pouco não as escrevo.
Eu quero você e suas palavras.
terça-feira, 10 de março de 2009
Conta corrente
Vinte e um para um velho ciclo se fechar.
Novos já se abriram. Alguns já fecharam. Outros permaneceram.
Esse se fecha. Fecha porque esta completo.
Não respiro mais seu ar. Não vejo mais com seus olhos e não sinto com sua pele.
Sou novo e serei ainda mais novo. Faltam apenas vinte e um. Pois hoje são dez.
Meus novos olhos brilham, minha nova pele é macia. Respiro um ar mais puro.
O ciclo esta completo e se fecha. Só faltam vinte e um.
Adeus mundo que não vive. Beijos que não beijei. Lugares que não conheci.
Sou novo, num novo mundo. Onde tudo tem um cheiro de intensidade. Onde se vive algumas vidas ao mesmo tempo. Cada dia me traz lições que me fazem crescer. Cada dia traz um sol mais dourado e cada noite uma lua mais prateada. Quanto tempo que eu não via a lua. Quanto tempo não beijava com paixão. Quanto tempo não agia por impulso, por vontade, por tesão. Agora faço, caminhado a passos de formiga eu vou crescendo e passo a fazer. Dia a dia. Faltam vinte e um. Só faltam vinte e um.
segunda-feira, 9 de março de 2009
A Ribalta e a Cortina.
Eu quero amor, mas não quero amor lírico.
Nem violento, nem doce.
Nem certo, nem errado.
Nem sujo, nem puro.
Nem santo, nem pecaminoso.
Quero o sorriso dos clowns e as lagrima das fontes.
Os abraços dos amigos e as tapas dos inimigos.
Quero motivo e amparo para as lagrimas.
Quero dar e receber razões para sorrisos.
Quero a meretriz e a virgem na minha cama.
Eu quero amor e lealdade na eternidade breve que me forem concedidos.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Ja dizia Socrates...
Outros pouquissimos amigos sabem de outras marcas que guardo. Geralmente muito bem guardado. Bem guardado até demais as vezes.
O pior dessas marcas é quando vez ou outra elas fazem questao de ser lembradas. Elas aparecem nas esquinas, nos fiteiros, nas vias ou quando algum filho da puta faz questao de meter o dedo. As vezes sem querer, outras so para te ver se contorcer com a dor. Existem masoquistas.
Apos serem remechidas, elas se abrem novamente. Novamente é preciso se esforçar para que elas fechem. Cada vez o esforço é menor, mas ainda existe. Ainda continua sendo esforço.
As minhas feridas se fecham cada vez mais rapido. Algumas eu nem senti mais. Quando reabertas, causam umas dores forçadas, doídas, cansadas que nem doem mais. Toda via, mesmo não havendo dor, as marcas continuam vivas. Estao sempre la. Muitas delas me fazem o que sou hoje. Talvez eu nao fizesse questao de ter algumas, mas cada uma delas é importante para me definir. Elas juntas sao boa parte do que eu sou, do que eu vivi. E todos os meus amigos sabem que de viver eu não me arrependo.
terça-feira, 3 de março de 2009
Natureza
Fato 2: Minha mãe me mandar comprar um guarda-chuva
Fato 3: Passo o maior toró no mesmo dia
Fato 4: Compro o guarda-chuva
Fato 5: PARA DE CHUVER!
Eu quero inaugurar meu guarda-chuva!
Se não chuver amanha eu inauguro ele no chuveiro!
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Raiar do dia
Enquanto o ceu chorava eu sorri. Quero continuar sorrindo.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Diana Prince
A intensidade com que amam. A cerca que criam para se proteger. Seu humor. Sua candura. Seus cheiros. Seu apego aos detalhes e ao simples.
Me surpreendo como coisas tao masculas podem se tornar tao doces quando realizadas por uma mulher. Vi o peso de um maracatu se tornar sereno e charmoso. Rosas perfumaram as ladeiras de Olinda mostrando que musica é feminino nao so na palavra. Onde quer que se va sempre sera a musica.
Vi uma pequena mulher guardar um amor tao grande que libertava e prendia ao mesmo tempo.
Vi uma mulher magrinha e doce mostrar os musculos do seu ego. E como eles eram grandes.
Vi uma linda mulher, se tornar uma menina querendo ser. Depois virando uma mulher que era, depois mudou para uma menina que queria. Depois uma mulher que crescia. Isso em tao poucos dias que estou com um medo ansioso de ver no que ela vai se tornar na proxima vez que a vir.
Desisti de compreender as mulheres e resolvi admira-las. Penso que agora sigo um caminho melhor.
Noticias antigas...
Novidades
Ganhei ao menos um sentimento mais forte que a quarta de cinzas. Esse é o que eu sei ate agora. Ou melhor, acabo de descobrir outro: Esperança. Uma esperança novinha só para mim. Que venham mais...
Eu quero tudo. O que mais poderia querer?
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
+ 1
Devido as festividades do carnaval, só hoje sai para comemorar meu aniversario de mais de uma semana atrás. Eu e eu mesmo por lugares que me trazem boas lembranças e me fazem relaxar. Depois um bom café. Depois o Recife Antigo com sua descarnavalização. Depois a livraria, onde aproveitei e me comprei um livro de presente. Adoro livros de presente. Depois um lanche. Depois o cinema. De forma sagrada. Eu, o ingresso e um ovo-maltine. Assisti o novo filme do Sexta Feira 13, relembrando as madrugadas de sexta que passava acordado só para assistir esses filmes de terror. Na volta li quase metade do livro que comprei e estou adorando. Parei e pensei sobre muita coisa. Descobri que estou num momento feliz, ou alegre não sei. Sei que estou bem comigo mesmo e pela primeira vez após algum tempo me senti não com vontade de dividir essa felicidade-alegria, mas preparado para fazer isso. Sem fantasmas do passado e cheio de esperança. Como eu disse a uma amiga a pouco; virou uma questão de tempo eu encontrar alguém ou talvez já tenha encontrado e não saiba. Vou é dar as mãos a minhas novas lições de vida e meter a cara no futuro. Ao infinito e alem...
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Ah! O Carnaval de Recife! Conhecido por sua irreverência, criatividade e ar tão popular. É o próprio povo que faz o Carnaval. Nada de abadas que unificam uma multidão. Quase nada de violência. Miscigenador das classes recifenses igualando pobres e ricos no festejo. Nada de cordão de isolamento... Opa mas espera um instante. Se aquela “Área VIP” separando dez metros da frente do palco principal da festa, para um grupinho acima da massa, não é um cordão de isolamento o que é então? Um grupo de sobrinhos de alguém que se envolveu na feitura de “nossa festa” não poderia se misturar ao povão num é verdade. Já imaginou subir o elevador de vinte e tantos andares com o fedor da lama do Capibaribe entranhado no corpo? Deve ser uma péssima sensação para eles. Mas eles não tiveram que passar por esse sofrimento esse ano. Uma visão privilegiada da festa foi reservando a esses coitadinhos. Um local onde se podia deitar no chão para ficar só curtindo o show, com toda segurança. Toda mesmo. Alem de uma cerca fechando a área, uma barrica de seguranças terceirizados que deixariam qualquer guarda Britânico com inveja da sua capacidade de manter uma cara poste. Quanta eficiência! Quebrada apenas quando se havia necessidade de dar um apoio para a grade não ser empurrada pela mundiça do outro lado (eu tava no meio dessa mundiça). Podia-se contar ainda com todo um pelotão da guarda municipal do Recife, munidos de seus cacetes e braços cruzados. Cientes de que o show de verdade viria da plebe, quase não olharam para o palco. É tenho certeza que os indefesos do Recife estavam bem protegidos puderam brincar o carnaval como sempre queriam, perto dos artistas e sem empurrões, mas a ralé não permitia antes.
Já do outro lado do arco-íris. Onde o antigo carnaval do Recife tentava continuar existindo, quem fez a festa foi a policia. O exemplo típico foi o do Soldado Welligton e seus sete amigos. O soldado Welligton, talvez por ser o único identificado na trupe, era o mais calmo sempre conversando no seu celular mesmo com todo o barulho. Ao seu, redor os outros sete exponham a alegria de terem passado num concurso publico e se juntado a magnífica PM do Recife. Os mais alegres eram um cidadão com mais cara de alemão neonazista do que de recifenses. Exalando todo seu instinto Sado-masoquista. Ate o ato de pular era merecedor de um bom cassetete nas costas, perguntar por que estava apanhado merecia dois, afinal de contas você tem que saber porque apanha. Pensei em fazer um Heil Hitler para ele, mas achei que identificar sua natureza merecesse três decidas do cassetete, acabei por apenas olhar. A única mulher da gang... digo, do pelotão descontava as surras que levou do pai (na infância) e do marido (um pouco mais recente) nas meninas que ainda não tinham sofrido nenhuma das duas. Dançar coco era motivos de empurrões, não sei se era porque ela não podia ou não sabia dançar.
Curiosidades a parte, o carnaval do Recife consegue provocar muita coisa boa na maioria das pessoas, eu mesmo não o troca por nada nesse mundo. Para mim não há nada melhor e mesmo se tivesse distante, rico ou apenas metido a besta, fariam questão de batalhar por meu espaço no lado “pobre” da grande de isolamento do carnaval no Marco Zero.
Carnaval Multicultural do Recife, a cultura pobre de um lado e a rica na área VIP.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Acrósticos
Inesgotavel fonte de beleza
Noite de luar brilhante
Grande poço de leveza
Rainha mestra de meu instante
Inspiraçao dos meus momentos
Dona dos meus pensamentos
A Ingrid que de amiga de meu irmão se tornou minha amiga...
Mas como poderia eu, mero mortal,
Ao olhar tal deusa em todo seu brilho,
Resistir me perder no vendaval
Inebriante que te segue aos estribilhos
Alinhando meus olhos com teus passos?
Como a distancia separa os eternos dos findos,
Lamentar o desejo maior se tornou minha sina.
A vontade de num abraço alcançar-lhe os ouvidos,
Rezando a eles versos e canções feitos sob a lima,
Adorando-a como um astro iluminado no espaço.
A Clara para cumprir com minhas palavras, mesmo quando as dou depois de embriagado.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Duvidas de uma sonata
Algum poeta. Em algum lugar. Em algum momento. Falou de como o raiar do sol lhe trazia alegria ao coração. Dizia como aquela bola de fogo espantava seus fantasmas, suas tristezas, seus medos, sua escuridão... Mas não é assim. Cada vez que abro os olhos aquela luz dourada queima minhas retinas, me enche das tristezas de um novo dia e renova os meus medos.
Algum poeta. Em algum lugar. Em algum momento. Falou de como à noite, sob as cobertas, bem acomodado em seu leito, ele se sentia seguro. Dizia como aqueles lençóis cheirosos e aquela cama macia, apoiados pela penumbra o faziam se sentir num aconchegante fim de inverno. Onde pensar em como se venceu os obstáculos e sonhar como seria boa a nova primavera o faziam dormir com um sorriso nos lábios... Mas não é assim. A noite, em meu quarto apertado, lembro de rodos os meus erros, as quedas, as pedras em meu cainho que eu deveria ter quebrado, porem toda me inutilidade me fez apenas dar a volta. Tudo isso me faz demorar horas para dormir, sempre com uma lagrima nos olhos e a odeia de que o inverno não mais terá fim.
Não sei se eu ou os poetas mente. Não sei se Sancho, em sua verdade, ou se Dom Quixote, em sua utopia vive melhor. Também não sei se o calor animador, ou se frio acolhedor é melhor para mim.
Quando triste, me apoio no colo do meu travesseiro, me acalanto e uma lagrima me faz companhia.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Um conto de dois eus e nenhum conto
O relógio marcava uma da madrugada, passava já alguns minutos disso. Na verdade era quase duas, mas foi só nesta hora que me veio a inspiração e a vontade de escrever. Ao menos comigo, é muito difícil que as duas andem juntas. Então achei que deveria aproveitar e me incentivei a fazer um conto.
- Um conto... – Pensei. – Fazer um conto...
Passado algum tempo preso a esse medíocre pensamento o mudei para:
- É, um conto. Pode ser, porque não? Mas... um conto sobre o que?
Essa minha nova indagação me roubou mais alguns minutos, o que me deu tempo de ir atender um breve chamado da natureza. Ao voltar, um pouco mais aliviado, olhei para mim mesmo sem precisar do espelho e me sugeri:
- Escreve um conto sobre a morte.
O meu eu que recebeu a sugestão, em resposta ao que sugeriu, abriu-se em pensamentos:
- Mas... sobre a morte? É certo que eu e você (nesta ocasião eu e eu, já que você também sou eu) apreciamos e já escrevemos um tanto sobre a morte e visto que é um assunto tão vasto quanto o amor. Porem, é mesmo necessário um conto e mais um texto meu, digo, nosso a respeito da morte?
Meu eu sugestor, impaciente tão quanto qualquer eu seria, se colocou a contra-responder em meio a palavras de baixo nível:
- Se não queres minha opinião não precisa a menosprezar. Apenas não a tome para si! Hora essa! Agora tenho que escutar criticas de mim mesmo sobre o que escrevo... Eu gosto de falar da morte, e daí?!
Meu eu que tentava escrever, menos funesto e mais paciente que o outro (ao menos no momento), replicou com certo tom de voz que eu não reconhecia em mim. Algo sereno-intelectual.
- Calma. Não é bem assim. Não estou a menosprezar sua idéia, a acho ótima. Como disse antes, já fiz algumas coisas com você sobre isso. Só não acho propicio o fazer agora.
A serenidade da minha fala me acalmou de um modo que meu eu bravio voltou a um estado próximo do equilíbrio. Todavia, não querendo admitir estar errado, falou com desdém:
- Faça como quiser. Não me intrometo mais. Não quero mais fazer contos.
Como uma peste altamente contagiosa, a desvontade minha contagiou meu outro eu. Esse também desistiu de produzir seu conto.
Quando dei por mim vi que mesmo que ainda tivesse vontade a inspiração havia evanescido a muito. Veio apenas a mente:
- Nada mais de conto. Por fim, acabo escrevendo sobre a morte.
Meu conto morreu!
sábado, 31 de janeiro de 2009
Dedico a voce
A ultima indicação que tive foi de fazer uma descrição das loucuras e “pitís” das garotas que eu me envolvi. A razão que recebi foi: “Tu só pega menina doida”. Quem falou sabe o que disse e a piada de resposta já veio pronta.
No entanto, não é bem disso que quero falar. – To tão conversador nesse texto. – O que me veio ao pensamento não foi o “o que escrever” ou “ se escrever”, a minha indagação foi: “Caso eu faça, a quem indicar?”.
Acho o Maximo aquelas dedicações bem no comecinho dos livros. Tenho mais vontade de ter uma dedicação a mim do que fazê-la a alguém.
Fiquei com aquilo na cabeça um tempo. “A fulano com algum sentimento por alguma coisa que me tenha feito”. Quem eu substituiria por Fulano?
Qual sentimento eu o dedicaria?
O que uma pessoa precisaria fazer para merecer a homenagem?
É meio que uma mania me prender nessas indagações que parecem tão simples e tão complexas. Acabo, muitas vezes, por chegar em soluções insatisfatórias que vão ser questionadas por mim mesmo no futuro ou meramente abandonadas. Espero não abandonar essa.
Claro que como de praxe, cheguei a uma eterna conclusão momentânea. Na dedicação do meu livro, ainda não existente, estaria:
“Dedico esse livro com intenso agradecimento ao leitor, por fazer com que a morte das arvores que originaram o papel fosse útil, nem que seja para passar o tempo.”
Eu sei. Ficou extenso. Já vi maiores, mas achei esse muito longo. Caso o livro fosse realmente a descrição das “Mulheres da minha Vida” a dedicatória seria:
“Aos netos que ainda não tenho, para que saibam que devem amar, pois eu amei.”
Esse ao menos ficou menorzinho. O que importa é que a idéia principal me satisfez no momento. Pesando o fato que daqui que venha a produzir esse livro (se o fizer) vou ter mudado de opinião tantas vezes quanto venha a questionar a qualidade dessa frase.
E assim, como milhões já fizeram, remonto a máxima do filosofo:
“Penso, logo mudo de opinião.”