quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Dias sim, dias não

E hoje, sim, você me olha com curiosidade. Aquele olhar surpreso de quem achou algo. Não de quem acha algo que perdeu, mas que procurava.

Já eu, sentado em minha cadeira distante, deitado na minha timidez, viajando na minha carência, fui desperto por esse olhar. Vi verter em mim todas as boas sensações de ser achado. Correspondo os olhares da forma de quem pergunta: “eu?”.

Passo por você vezes e vezes. Você não me vê. Não é que fingi não ver, é que eu não me mostro e assim não tem como você me ver.

Então hoje, não, estou lá no mesmo lugar da outra vez. Sentado, quase de pé na esperança de você me olhar novamente. Você olha, mas não com o mesmo brilho. Depois de encontrar meus olhos você desvia os seus como quem já cansou do que teve.

Nisso eu, sento novamente na desilusão e volto a viajar em outra coisa qualquer. Qualquer que seja a coisa. Qualquer coisa seja a viajem.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sobre olhos entreabertos

Eu acredito em Amor.
Eu acredito em D’us.
Eu acredito em Paraíso.
Eu acredito na Fé.
Eu acredito na Amizade.
Eu acredito na Lealdade.
Eu acredito na Verdade.
Eu acredito até na virgindade de Britney Spears, de Sandy e da sobrinha de Gretchen.
Só não acredito na Humanidade.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

De como equilibrar cotovelos no ar*

...

- Porque se agente voltasse...

- Perai! Quem disse que quero voltar com você?

- Não, é... se agente ficasse junto...

- Quem disse que quero estar junto de você?

- E não quer?

- Quero! Quero tanto que chego a me revoltar por querer!

- E então?

- Isso não é motivo para fazer. Apenas querer não é motivo para fazer.

- Você não gosta mais de mim num é?

- Não, não gosto...

- ...

- GOSTO! Gosto tanto! Amo! Você sabe. Tem certeza disso.

- É eu sei.

- E por saber faz isso tudo. Age dessa maneira. Porque sabe que pode e não avalia se deve.

- Não sei. Pode ser que não seja por isso...

- Quem não sabe sou eu. Talvez nunca vá saber. Espero nunca saber.

- Talvez. Mas nunca é muito tempo.

- Nunca é racional, definitivo.

- ...

- ...

- Então você ainda me ama. Vai amar para sempre?

- Para sempre é muito tempo e já perdi tempo demais com você.

- E eu não mereço.

- Não mais.

- Já mereci?

- Há algum tempo sim.

- Então vou parar de gastar seu tempo. Tchau.

- Posso gastar algum agora.

- Pode? Comigo?

- Posso! Mas não quero. Tchau.

- Até mais.

- Adeus.


*Titulos apartir da frase que "tomei" de presente de Joana minha nova companheira de fotos e certos fatos

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Descartavel

Era o cigarro nos seus lábios.

Era o chiclete em sua boca.

Era eu nos seus lábios, na sua boca, nos seus seios, no seu ventre...

Teve as sensações da fumaça cinza.

Teve o doce do mel.

Teve os prazeres do toque das peles.

E os tratou como um

Queimou o cigarro e ao chão foi a brasa vermelha.

Sugou o doce do chiclete e ao chão foi a borracha insípida.

Teve seu luxo no meu corpo, mas ao chão ficou apenas o vestígio do pudor ao toque das intimidades.

Ficaram as vontades de futuro.

Ficaram as satisfações de se encontrar um par.

Já eu, com minhas asas feridas e cansadas,

me mantive no ar.

Nem se quer toquei o chão.

Voei numa brisa quente de esperança...

domingo, 6 de setembro de 2009

Sagesse

Eu não sei escrever poesia.

Não sei se uso s ou z.

Não sei aonde vão os tils, circunflexos e agudos.

Não sei se é pro, para ou oxítona.

Quantas silabas poesia tem?

Eu não sei escrever poesia.

Sei é abrir meu peito ao papel.

Sei mancha-lo com minhas lagrimas.

Sei desenhar meus sorrisos.

Se me debruço no papel, poesia não escrevo por que não sei.

No entanto, faço do papel branco um espelho

para um coração que bate

uma lagrima que rola

ou um sorriso que brilha.

E faço tudo isso sem ao menos saber escrever poesia.

Sobre caminhos e morangos

...

O chapeleiro olhou fundo para Alice e disse:

- Não Alice, Não é Tolice. Olhar para o inicio da estrada quando se esta no meio é tão importante quanto olhar para o final. Saber aonde se quer chegar pesa, mas como se pode aproveitar a gloria de saber como se chegou?

Alice, racional, respondeu:

- A gloria provem da vitória e não de como se chegou a ela.

O chapeleiro, cético, retrucou:

- Então Alice, me explique você porque os morangos maduros da cesta que você ganhou não estavam tão suculentos quantos esses, quase verdes, que nos esfolamos para colher?

Alice ainda levantou o dedo indicador e abriu a boca para dar a resposta ao chapeleiro, mas as palavras falharam. Faltaram na verdade. A razão de Alice perderia para a loucura do Chapeleiro mais uma vez. A menina resolveu dar atenção a algo mais importante. Pegou um morango meio verde meio róseo e pos todo na boca. Mastigou três vezes e suspirou se rendendo ao prazer do seu sabor.

sábado, 29 de agosto de 2009

Lição

Aos prantos, sentado ao chão perto do velho acomodado em sua cadeira de balanço, ele descrevia mais um amor que “não deu certo”. Toda aquela ladainha que todo mundo conhece de cor. Fiz mundos e fundos, me superei, me privei. Tudo aquilo que agente sabe que todo mundo faz e não faz.

Quando já estava cansado de falar, ou por necessidade de ouvir, ele pediu algum tipo de conselho ao velho, que responde:

- Ame meu filho. Ame o maximo que você puder e quando achar que não pode mais, ame mais ainda.

Claro que aquilo parecia a coisa mais inútil de se ouvir naquele momento. Tudo que se ouve nessas horas parece inútil na verdade. E talvez por descaso, falta de compreensão ou mesmo burrice ele não seguiu o conselho que recebeu.

Horas, dias, meses e anos depois ele era o velho na cadeira de balanço e alguém jovem chorava as mesmas lamurias que ele tinha chorado naquele momento. Mesmo sabendo cada trecho da historia que estava por vir, ele ouviu pacientemente. E quando percebeu que havia chegado a hora em que o jovem tinha cansado de falar ou necessidade de ouvir, ele disse:

- Ame meu filho. Ame o maximo que você puder e quando achar que não pode mais, ame mais ainda.

De forma mais inteligente que a dele no passado, o jovem perguntou porque. Ele reconhecendo que deveria ter feito o mesmo quando era sua vez deixou uma lagrima rolar no rosto. Abraçou o jovem, olhou nos seus olhos e disse:

- Porque será muito pior se você não o fizer.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Acho que ja te disse

Hoje, em alguns momentos do meu dia que quase não parecem meu dia, tive tempo de pensar em te ligar. Apenas ligar. Para falar qualquer coisa. Perguntar como foi seu dia. Dizer alguma eventualidade. Ouvir tua voz.
Peguei o telefone algumas vezes, mas desistir em todas. Pensei se podia fazer, se devia fazer. Se você receberia bem, a final não sei seus gostos. Se você poderia falar, afinal não sei seus horários. Pensei no que poderia falar e no que não deveria nem pensar.
Passei tanto tempo nisso que acabei devorado por mais uma onda de tumulto do meu dia e pensar em você foi mais de você que pude ter quando queria muito mais.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Dos nãos, dos nuncas e dos jamais

Era muito bom para ser para mim. Não, não podia ser para mim. Não desse jeito, não com tanta perfeição.

Aquele brilho nos olhos, não podia ser para mim. Aqueles beijos não eram meus, não podiam ser meus. Eu não teria direito a tanto, ou a tal.

Cai nas graças do momento, mesmo sabendo que não era meu. Que não podia ser meu. As asas cansadas se aninharam no aconchego daqueles braços. Meu corpo frio se aqueceu no calor daqueles abraços.

Mas nada daquilo era meu e por devido, me foi tirado, assim como foi dado. Era muito para ser para mim, pois era muito pouco. Podia ser de qualquer ser humano, mas não meu. Nunca poderia ser meu. Nunca poderá ser meu...

De qualquer ser humano pode ser, mas não meu...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Feminino

Nunca exigi seu tempo, dei minhas horas.

Jamais pedi seus carinhos, dei meus afagos.

Nunca te obriguei a fidelidade, dei minha lealdade.

Jamais te citei como minha, defini o meu corpo como seu.

Não te prendi, não te ceguei, não te sufoquei, não te segui.

Mostrei meu caminho e desejei que ele, pouco a pouco, acompanhasse o seu.

Linhas paralelas se encontram no infinito. Nunca se batem. Permanecem lado a lado.

Não exijo tua compreensão, dou minha amizade.

Não peço tua calma, dou meu sorriso.

Não te obrigo a razão, dou minhas utopias.

Te peço apenas que eu seja uma breve lembrança, sempre antes de seus dedos terminarem de gritar seu nome.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sobre o tempo la fora

Hoje o barulho da chuva tem outro significado. Como toda mudança, doeu para que ao ouvir a chuva cair eu pensasse em outra coisa, em outros momentos.

Antes os pingos ao chão anunciavam um sono doce, ambos a se esquentar sob os lençóis abraçados na cama de solteiro. Dormir com seus cabelos no meu nariz. Às vezes trazendo seu cheiro em outras fazendo cócegas. Aperta-la contra meu corpo, correr a mão da sua cintura ate as coxas. Acordar varias vezes a noite com o ranger de seus dentes ainda acordados. Finalmente, acordar para vê-la serena e linda, nos seus últimos minutos de sono.

Quantas chuvas clamaram por isso e não tiveram. Deitei só, na esperança de que em algum momento ela aparecesse como por encanto, dizendo apenas “cheguei”. Não seria necessário dizer mais nada. Perguntas, pensamentos e duvidas seria para a manhã seguinte (caso ela viesse a existir).

Procurei o seu cheiro no travesseiro, nos lençóis. Ate achava vez ou outra. Por pouco segundos, mas jurava que era ele. Meus braços vagaram pela cama que agora parecia tão grande. Nem mesmo os lenços conseguiram afastar o frio.

Assim foram as noites de chuva de um passado não muito distante. (Faz um ou dois séculos?)

Hoje é diferente. Novamente a chuva lembra aconchego, mas de modo diferente. De um jeito especial, mas que depende mais de mim do que de outra pessoa. Escolho quanto espaço terei na cama. Hoje sinto o cheiro que quero. Nada mais me acorda. Prefiro ser assistido ao dormir a assistir o sono alheio.

O barulho da chuva hoje me lembra quão efêmeros são os bons momentos. Que se não forem intensamente aproveitados eles podem ser protagonistas de momentos desesperados de tristeza.

O barulho da chuva hoje, me da ordem de vida. Eu a acato e vivo.

sábado, 18 de julho de 2009

Senso

Era meu olhar aos olhos delas. Depois era eu dentro dos olhos dela. Meu nome na boca dela, minha língua na boca dela, mais e mais de mim na boca dela.

A minha mão corria em busca dela. Cada curva que passava eu não sabia mais se era eu ou se era ela. Eram curvas, pêlos e fendas. Apenas isso. Sem dono, nem fim.

Era eu dentro dela. Ela a me devorar. Com todas as bocas, com todas as mãos. Buscado o palato quente dos sentimentos.

As peles eram uma só pele. O suor das sensações era o que as grudava. Grudava e davam um gosto salubre as palavras. Grudava e matava a sede das línguas.

Eram faíscas que começavam brotar no ar. Brotavam nos corpos. Tenho duvidas se não era apenas um corpo. De tão próximos, de tão dentro um do outro. Contrariando as leis da física.

As faíscas ascenderam o estopim da paixão. Que foi queimando deliciosamente pelas colunas daquele corpo único que eram dois. Uma explosão! Os corações se encarregaram do estrondo. As bocas cuidaram dos gritos de surpresa. Os pulmões eram responsáveis pela respiração pesada de emoção.

Eram dois corpos sobre os lençóis. Juntos, muitos juntos. Vejo-me novamente nos olhos dela. Minha mão corre seu rosto e afasta uma mecha de cabelo. Recebo um sorriso e devolvo. Beijo seus lábios. Procuro todas as palavras que conheço para agradecer aquele momento. Ela só diz “eu te amo” e faz bem melhor que eu.

A paixão começa a dar lugar ao amor pouco a pouco. Mas os corpos não desgrudam. Dentro daquelas paredes todo parece estar no lugar certo. Lá fora está tudo errado. Dentro tudo é perfeito. Lá fora mundo está acabando. No entanto, nenhum dos dois está dando a devida atenção. Ela fica indiferente. Já eu, desejo é que o mundo exploda mesmo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Investigação

Às vezes me perguntam de onde tiro tudo que escrevo. De certo não vivi todas as minhas letras. Nem nunca fui tão triste, nem tão feliz. Mas nunca soube dizer de onde tudo vem. Em certos momentos até eu quero saber. Olho para o papel, vejo as palavras e pergunto de onde elas vêm. Elas nunca me respondem, então eu tento inventar. Dizer que vêm de D’us não satisfaz alguém tão cético quanto eu. Dizer que saem da minha cabeça é prepotência demais até mesmo para mim. Olho para o meu ombro, desço pelo braço, antebraço, dedos, unhas e olho como o detetive que encontra o bandido. Faço minha melhor cara de mau e dou voz de prisão à caneta que corre pelo papel. Encontrei meu culpado, achei minha caixa de Pandora. Devo trancafia-la de vez ou inundar o mundo com todo tipo de aberração que existe lá dentro. Penso bastante nos prós e contras de tudo isso, mas deixo a caneta correr...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Pleine de grâce

Eu disse “alô”. Do outro lado do telefone saiu uma voz que eu jurava que nunca mais iria ouvir. Pedi para que meus ouvidos estivessem me enganando e perguntei para ter certeza. Um “quem é” de quem já sabe quem é.

Sim, era ela. Falou seu nome como se eu tivesse obrigação de ter lembrado. Tentei desconversar com um “ah, mas faz tanto tempo”. Gaguejei mais vezes do que podia ou devia.

Puta merda, era ela. O que queria? Para que inferno foi me ligar? Perguntou como eu ia. Não como eu estava, mas como eu ia. O que alguém quer saber quando pergunta como se vai? Eu disse que ia como sempre, um pé na frente do outro. Devagar. Sempre para frente. Bom, às vezes para os lados, principalmente quando preciso desviar de quem vem na contramão.

Ela riu. Eu lembrei daquele riso. Era só meu. Só usava quando eu falava bobagens para ela rir. Ela usou exatamente aquele riso e felicitou por estar bem.

Corrigi, claro. Disse que ela tinha perguntado como eu ia e não como estava. Como sabia se eu estava bem. Ela disse que só sabia e perguntei porque ela ligou se sabia. Disse que queria ter certeza.

Alguns minutos de silencio.

Ela disse para eu falar. Eu perguntei “o que”. Ela disse para falar qualquer coisa e perguntou se eu não queria saber como ela estava ou como ia. Eu respondi que não queria saber nem uma coisa nem outra. Fui sincero. Duro, mas sincero. Tentei não fazer, mas fui sincero.

Ela disse que então tava. Mais silencio.

Ela ia começar a falar e eu também. Ela foi educada e me deu a vez de falar. Eu disse “tchau”. Assim só tchau. Daquele jeito regionalista quase esquecendo o tê. Ela disse tchau e ia dizendo beijo, mas desistiu no be e disse abraço.

Depois eu só ouvi “tuuuuu” de outra voz mais conhecida. Demorei algum tempo escutando isso, como se esperasse a voz dela voltar. Não voltou.

Fui para o meu quarto, deitei na cama, procurei um cheiro que estava sentindo na memória e então durmi.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Mais sobre o tempo

Quando se sabe que o tempo passou?

Que o presente virou passado e que as feridas se fecharam?

Elas fecham mesmo ao perdem a sensibilidade?

Voltam a doer por serem tocadas ou por serem reabertas?

E quando a dor das feridas vira prazer, é por que o tempo passou ou porque se vira masoquista?

O tempo é problema e solução.

O tempo é motivo para o fim do amor, da vida e também do sofrimento, da dor...

O tempo é medico e doença.

- Dr Tempo, eu vi aqui no seu consultório porque fui acometido do mal do tempo. Estou com todos os sintomas. Saudade das décadas do passado distante, ódio pelos anos do passado próximo, dormência nos dias do presente e peso para chegar às horas do futuro. Creio já esta em fase terminal devido a intensidade dos sintomas doutor. O que devo fazer? Isso tem remédio?

- Tem sim! Sente e espere. O remédio tempo vai fazer efeito logo e você nem precisa tomar.

sábado, 6 de junho de 2009

Sobre a influencia dos astros

Era um lugar separado. Grades. Tudo isso no meio de uma grande casa de alegria. Um lugar separado para aqueles que têm o mau costume de respirar fumaça. Estava eu lá. Fazendo companhia a solidão dos outros.

Outros estranhos exibindo suas roupas mais chamativas, de mais personalidade de que os próprios donos. A fumaça enchia a sala saindo dos palitos brancos de ponta vermelha. E eu estava lá. Sozinho. Fazendo companhia a solidão dos outros.

Suguei um pouco da fumaça. Esperei que ela corresse no meu sangue e soprei boa parte num jato uniforme. Na nuca os efeitos da fumaça começam a surgir lentamente. Um formigamento, a cabeça mais leve. Assim os pensamentos voam mais rápido.

Eu tento acompanhar todos. Só tento, sem conseguir. Na verdade minha meta era só tentar mesmo. Alcanço um e fico ruminando ele por alguns momentos. Solto e pego outro e mais outro e outro... me percebo só com meus pensamentos. Fazendo companhia a solidão dos outros.

Penso em quase tudo. Quase tudo. Só não acompanho todos os pensamentos. Eles vão passando, se misturam a fumaça que se mistura com a fumaça dos outros e sai pelas janelas. Fora, Pedro é que faz a festa. Esta tudo molhado. O céu, os telhados, as paredes, os carros e até os paralepípedos estavam molhados, úmidos. Minha boca estava seca. Por causa da fumaça talvez, ou por estar só. Fazendo companhia a solidão dos outros.

Penso em que poderia quebrar tudo isso se não eu. Quem poderia transformar minha charneca num jardim. Um jardim que tivesse ao menos um pouco mais de cor. Um jardim que tivesse ao menos uma Rosa. Seria assim eu cuidando da Rosa e ela fazendo da minha solidão algo de um passado distante. Ficaria ela e eu deixando na solidão a solidão dos outros.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Num tributo a Bob Marley

Suas mãos em meu rosto me chamaram implicitamente para um beijo. Mesmo que não quisesse seria impossível resistir e como eu queria! Acordei ainda com o peso da noite anterior na cabeça e ainda sonhando que esse momento poderia acontecer. Tomei banho pensando nisso, me vesti pensando nisso. Até não vesti a roupa que ela me pediu só para enganar que não estava pensando nisso. Enganar a quem? Somente a mim lógico.

Cheguei mais cedo que o normal, fiz mais amigos que o normal e ela não chegava. Decidi que devia aproveitar a festa e ela não iria chegar ou não iria me achar como em vezes anteriores.

Errei! E como adorei aquele erro. Ela me abraçou, beijou-me o rosto falou depois saiu. Reencontramos-nos e mudamos de festa.

Conversamos, bebemos, encontramos amigos, andamos e quando não me lembro o que vi que suas mãos em meu rosto me chamaram implicitamente para um beijo. Mesmo que não quisesse seria impossível resistir e como eu queria!

Beijei! E o mundo sumiu, a musica parou, o calor num era mais nem frio. Eu só sentia minha mão nas costas dela e dela na minha nuca. Sentia nossos lábios. Sentia o coração, não o meu. Sentia nossos sentidos, por vezes um, por outras um milhão e não quis mais parar de sentir...


...acordei vendo o nascer do sol em plena segunda-feira nublada as seis da manhã...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A infelicidade de ser D'us

Eu queria o dom dos poetas e afogar minhas magoas nas palavras ou morrer afogado nas letras que elas produzirem. Escutar de alguem que leu todo meu desespero um sutil: "que lindo". Não deixar o meu olhar fosco de tristeza e dividir seu brilho com a tinta que levara para a eternidade a descriçao lirica de meu sofrimento. Fazer reverencias (baixando a cabeça) a aplausos destinados a leitura pomposa de minhas desçraças.
Ah meu D... É isso!
Talvez seja de uma fé num d'us que eu precise. Um d'us exigente e caprichoso que me faça seguir pelo caminho de suas maravilhas frivolas, por entre as pontes do arco-iris ate um pote de conformismo. Um ser que me presentei com bitolas douradas, corte-me as asas, ate minhas maos e pes e me proiba de pensar e criar.
O sofrimento veio a Adão e Eva quando eles quiseram produzir e serem criativos. A magica da vida é acompanhada com todo tipo de paradoxo torturante. Ser um d'us não é assistir a desenvoltura de uma fazenda de formigas, e sim, sentir toda a dor necessaria para se criar algo mais e ouvir alguem comentar do outro lado do vidro:
- Não é lindo?
- É a cara do pai!

"Entrego-vos meu novo mandamento:
- Eu sou meu D'us, não amarei outro se não a mim."

Olhares

É tdo um jogo...
Depende somente do angulo da luz, do angulo de qm olha...
É mais geometria do que vida...
A vida poderia ser mais matematica do que é normalmente...
Mas ai não seria vida... Seria uma tabela de cossenos...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Cretinice

Acordou com o toque do despertador. De bruços assim como tinha ido dormir. Estava apenas de cueca e coberto pelo lençol.
Virou-se e o resto do corpo foi acordando. De baixo para cima. Começou sentindo os pés, grandes demais para o resto do corpo. As pernas finas e peludas deram sinal de vida. O joelho, ainda machucado pela queda no fim de semana, se mostrou presente. Depois foi a vez das coxas flácidas e magras, seguidas pelo pênis rígido pelo amanhecer. A barriga seca acordou junto com o peito formado quase pelas costelas apenas. Dando continuidade o pescoço despertou para que todo corpo se unisse a cabeça grande e oval.
Completamente acordado (ao menos no que se refere ao físico) ele levantou e foi ao banheiro. Urinou por mais tempo do que fazia no resto do dia, seu pênis finalmente ficou flácido. Ficou próximo ao chuveiro e mesmo com ele aberto pensou algumas vezes antes de ficar sobre a água fria. Tomou coragem e o fez. Tomou um banho rápido, se enrolou na toalha sem se enxugar como devia e foi para frente da pia. Escovou os dentes até as gengivas sangrarem. Depois escovou os cabelos com menos empenho.
Saindo do banheiro ainda pingando a água do banho, pegou a primeira cueca limpa que estava na gaveta entreaberta. Vestiu. Depois vestiu uma caça de jeans azul escuro. Atou o cinto. Passou desodorante nas axilas, daqueles com uma bolinha na ponta. Abriu outra gaveta e demorou um pouco escolhendo uma camisa. Acabou por vestir uma camisa preta com detalhes azuis. Velha, mas não aparentava tanto. O tênis completou o vestuário do dia. Pos perfume, pegou a bolsa e saiu.
Foi andando até o ponto do ônibus, passou pela vizinha fofoqueira e deu seu bom dia falso, recebeu um quase tão falso. Acenou para o jornaleiro. Atravessou a avenida e finalmente chegou ao ponto. Após cinco minutos de espera achou estranho que tão poucas pessoas estavam esperando a condução. Mais doze minutos e ele resolveu olhar o relógio. Só então percebeu que era domingo e não teria expediente no trabalho.
Voltou pelo mesmo caminho. Acenou novamente para o jornaleiro, a vizinha não estava mais na rua. Entrou em casa, voltou para quarto, tirou toda a roupa. Toda mesmo, ficou completamente nu. Deitou na cama ainda quentinha, se cobriu com o lençol que ainda guardava seu cheiro e se entregou aos braços de Morpheu para o sono dos justos. Afinal de contas era domingo e não teria expediente no trabalho.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Uma Rosa entre as Margaridas

Por que não posso eu querer a Rosa por assim ser

Escolho a Rosa que não é rosa só se faz parecer

Sendo mesmo uma Dália, uma Orquídea ou qualquer outra flor

Escolho o cheiro não pelo perfume e as pétalas não pela cor

Escolhi aquela que não se mostra e sim, capta a pose

Escolhi para minha flor não a Rosa rosa, mas a rosa Rose

Perdi-me a enganar-me no seu nome como todo mundo se engana

E quando meu peito bate não sei se bate Rose ou se bate Rosana

terça-feira, 5 de maio de 2009

Para um beija-flor de Venus...

Lembra a cor das minhas pétalas Beija-flor, antes do teu beijo?

Lembra do cheiro antes de sentir teu cheiro?

O rubor brilhante da minha fronte Beija-flor é fruto do teu beijo.

E o cheiro doce que espalho não é o meu, mas o teu cheiro.

Desejo Beija-flor o toque aligeiro dos teus lábios com o fascínio do brilho das tuas asas.

Desejo Beija-flor o toque do teu beijo para sobrepor minha cor por entre as dálias.

Nada sou Beija-flor sem teu mágico toque de beleza.

Nada sou Beija-flor se distante você esteja.

Eu só quero Beija-flor ser a flor do beijo.



domingo, 3 de maio de 2009

Sobre o tempo

Não quero alguém para gastar meu tempo, quero alguém para dividir minhas horas.

Alguém para quem eu não seja um peso quando estiver no seu colo, que eu não seja um chato quando precisar falar minhas besteiras.

Alguém que me diga não as vezes e que me diga sim as vezes.

Alguém que me acompanhe nas loucuras.

Quero alguém que após me presentear com uma linda gaiola vá ate a porta dela abra e jogue a chave fora.

Quero alguém com quem fazer amor com todo carinho e depois fazer sexo como animais.

Eu quero o que Adão queria quando recebeu Eva e perdeu a costela.

Quero ter passos ao meu lado quando resolver andar sozinho.

Quero companhia para uma farra na sexta a noite e para uma tarde preguiçosa de domingo.

Não quero alguém para gastar meu tempo, quero alguém que fala valer os movimentos dos ponteiros do relógio, ou que os faça parar com um abraço.

sábado, 2 de maio de 2009

Já que distante

Porque a distancia afeta tanto o físico se o pensamento voa tão longe, tão rápido. Quanta saudade, quanta vontade de ter ela entre meus braços. Sentir sua pele, sentir seu cheiro, ouvir sua voz. Apenas ter a certeza de estar próximo.
O que posso falar de certeza quando falo dela? Nada! Não sei do que ela sente não sei suas vontades, seus sentimentos. Quando se fala dela surgem inúmeras duvidas. Será gosta? Será que quer? Tem saudades? Só uma certeza há quando se refere a ela: eu me sinto distante fisicamente.
Tudo que se refere dela a mim tem o formato de uma grande interrogação, como um coração divido ao meio. No entanto se tudo fosse uma exclamação gritante com certeza minhas certezas seriam um tanto diferentes.
No momento fica a falta, a necessidade, ligo mais tarde e ouço sua voz. Vai ser um tanto aliviador a ouvir falar qualquer coisa daquela forma como se nada tivesse a divida importância. Como será bom...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Novidades

Pessoal estou de blog novo! Algo mais tematico dessa vez, o que não deixa de ser interessante em certos momentos...
Juntei passagens de um passado distante e as experiencias do presente e criei o

"Cartas de um desromance de cartas"


que pode ser acessado via: http://desromancedecartas.blogspot.com/

"Cartas de um desromance de cartas" traz cartas de alguem que se denomina Rei de Espadas para um amor do passado que ele cita como Rainha de Copas. Nessas cartas o Rei tenta explicar o que sentiu e o que sente agora a respeito de sua Rainha. Nem sempre ele consegue claro.
Que fique bem claro que esses textos sao ainda mais fictivos que estes que voces encontram no "Phrases Despheitas". E por falar nele, o "Phrases Despheitas" continua e farei o possivel e o impossivel para que fique melhor a cada dia.

Sem mais no momento.

Abraços a quem me lê.

terça-feira, 28 de abril de 2009

O Tagarelão

Cheguei com a chuva, assim como se fosse um relâmpago. Não pelo brilho, nem pela força, muito menos a velocidade, só porque cheguei com a chuva. A mala nas costas, as obrigações à frente e o coração deixado para traz. Volto a ser mais uma engrenagem da maquina. Olho ao redor e enquanto chego as outras engrenagens já estão se dirigindo as suas posições na maquina. Olho para trás e me da vontade de voltar, na verdade eu sinto vontade é de não ter voltado. Deixar as certezas frias pelas duvidas calorosas. Novamente olho para frente e para traz. Tento escutar meu coração. O que ouço só me da mais certeza de que é melhor entrega-lo a quem não sabe o que fazer com ele a entregá-lo a quem não sabe o que ele é.

Abro os olhos e decido que cheguei e pronto. Então a vontade de ir novamente para la se reaquece. Volto a contar os dias. Torço para que aquele relógio já tenha sido consertado, ou que nunca tivesse quebrado. A verdade é que cheguei mesmo. Cheio de duvidas e desejos. Chego apenas com a certeza da rainha vermelha: “É necessário correr e mais correr, com o maximo da velocidade, somente para permanecer no mesmo lugar. Se você quiser chegar a algum outro ponto, deverá correr pelo menos com o dobro da velocidade.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fiado só amanhã

Acordo com os olhos marejados, baixos. Penso ainda estar sonhando, pois vejo tudo numa escala de cinza, sem branco nem preto. Nada tem movimento, nem as folhas balançam ao vento. As pessoas, os carros, os pássaros se movem parados, como o passar de fotos num álbum. Olho minhas mãos e vejo sua cor amarelada. Fecho e abro os dedos e vejo o movimento. Sou eu, ou mundo que está estranho?
Lembro das cores dela. Olhos, cabelos, os sinais da pele, os lábios. Na minha cabeça faz tanto tempo que nos vimos, parecem meses, anos. Talvez seja. Mesmo assim lembro das cores e de cada lugar que as cores estavam.
Fecho os olhos e as lembranças ficam mais fortes. Uma musica significativa passa a tocar no meu ouvido. Não foi magia, mas sim o radia no meu bolso. Lembro de não me incomodar de ser menino e querer ser um homem, às vezes ate conseguir. Lembro de olhares que falaram mais que quaisquer palavras. Risos. Sorrisos. Abraços. Passos.
Abro os olhos na esperança da cor da lembrança ter infectado o resto do mundo, mas tudo continua cinza. Atravesso a rua vendo os carros mudando de posição sem os pneus rodarem. Fica o desejo de um novo dia talvez o sonho traga as cores que desejo e amanha os pássaros batam as asas para voar...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Crônica do amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Arnaldo Jabour

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mantra

Ouvi de mais alguém a máxima que diz: "Não sou feliz, tenho momentos felizes.". Adoro máximas, ditados e pensamentos, mas desprezo esse de forma incondicional. Eu sou é feliz e tenho momentos de tristeza. O que acontece é que tristeza é memória curta, intensa agora e breve na posteridade. Já a felicidade é memória fixa e fica marcada com mais intensidade no por vir.
Sou feliz por que amei, por que sorri, por que me ergui. Por que fui beijado, por que fui aceito, por que venci. Por que fui amado.
Mas estive triste quando odiei, quando chorei, quando cai. Quando fui estapeado, quando fui negado, quando perdi. Quando fui rejeitado.
Veja que a felicidade esta na razão dos porquês enquanto a tristeza esta no momento dos quandos.
Hoje nos vemos tristes, mas nos lembramos felizes ontem. Amanha também vai ser assim.
Por isso sou intenso, porra-louca mesmo. Estampo o brilho do sol no sorriso e choro com a chuva (na verdade deixo ela chorar por mim). Eu quero mais é o mais. Quero rimar minhas musicas e cantar meus poemas. Pintas minhas fotos, clicar minhas esculturas e esculpir meus quadros.
Sempre para frente, buscando os brilhos nos olhos alheios, o calor dos abraços e a satisfação das risadas.
Eu quero tudo, o que mais poderia querer?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Eventual

Relendo com calma alguns comentarios de textos antigos postados aqui, percebi o quanto as pessoas enchergam veracidade nas minhas palavras. Alguns me enviam frases de apoio (o que é muito bom), outros se identificam (o que é otimo) e sempre imaginam que esteja vivendo aquelas palavras.
Pois bem...
Nem tudo que se tem escrito aqui sou eu hoje. Muita coisa são eus do passado e outras são eus que nunca existiram. Utilizando desse senso de multiplicar eus, tomo as palavras do porta que melhor fez isso:
"O poeta é um fingidor
Fingi tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente"
Sei que estou meio distante de ser um "poeta", mas tambem sou alguem que sente pelas palavras e descubri que as pessoas sentem pelas minhas.
Sendo assim, meus amigos, quando se verem tocados pelas minhas palavras saibam que nem sempre sou o eu-lirico da trama, mas serei sempre eu tocando de voces. Se não puder ser com abraços, que seja com sentimentos.

sábado, 28 de março de 2009

Maquiavelismo

Me vi no passado e fiquei a me fintar. Vi que percebi esta sendo observado, mas fingi não notar. Fiquei meio de lado, depois dei as costas. Olhei mais fundo e falei sem esperança de ser respondido:
- Às vezes sinto saudade de você.
Como resposta me perguntei assim “entre os dentes”:
- E o que você faz nesses momentos?
Respondi com uma sinceridade quase divina:
- Antes eu ficava triste, ate chorava, mas hoje... eu sento e espero tudo passar.
Novamente me questionei:
- E quando passa o que você faz?
Respondi:
- Eu sigo em frente.
Não houve mais questionamentos e eu voltei a ser ignorado. Minha vida era bem mais colorida do lado de lá do que do de cá, por isso não achei errado o que ele fez. Observando melhor a situação, cheguei ate a pensar que tinha imaginado ter ouvido aquelas perguntas. Acho que não perderia meu tempo com esse tipo de conversa. Não no passado. Com certeza devo ter imaginado.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Visoes

Adoro janelas. Sao verdadeiros seres magicos que nos mostram coisas ainda mais magicas. Sempre que volto do trabalho passo todo o tempo olhando o mundo passar pela janela do onibus. Alguma coisa com certeza vai me chamar atençao durante a viagem. Uma placa, uma pessoa, um grupo de pessoas... qualquer coisa vai acontecer, eu sei. Nem que seja a expectativa do final. Quanda a estaçao apontar na minha janela eu vou esticar o pescoço para ver se ela esta la. Vou olhar os locais mais provaveis, pedido as D'uses que ela esteja. Vou pensar com meus botoes: se ela estiver eu passo por outro lado e não falo. Eu me obrigo a pensar que vou fazer assim, mesmo tendo certeza de que se ela estiver, eu vou me aproximar com o sorriso mais largo do mundo. Vou receber aquela massagem de estar ao lado dela. Aquele descompaço no coraçao. Ate que venha mais um onibus para levar um de nos e novamente uma janela me de uma visao magica. Magica e triste na verdade. Magica, porem triste de ver ela ir ou ficar.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Charneca do talvez

Vivo mais uma parodia do meu conto de fatos. Adoro dizer que vivo. Não vegeto, não sobrevivo, eu vivo. Vivo, com todos os ypisilônes que viver pode conter. Quando me descrevo falo do sim e do não. Falo da duvida e da certeza. O que não tem dois lados, tem três, ou mil, ou milhões.
É tudo tão imenso que certo vira errado, e o errado perfeiçao. Muitas vezes é tão grande que passa dispercebido, ou incomoda como flerpa na unha.
E me prendendo mais agora que ou todo. Me vejo com a sorte de quem aposta num dado viciado. Tendo sempre seis chances, sabendo vai dar uma (sempre essa uma) teimo a apostar nas outras cinco. É preciso muita coragem para sim. É preciso muita coragem para burro, agir como burro e pensar como burro de proposito e repetidas vezes.
Fico na expectativa sutil de trocar para meu dado, aquele caotico. De seis lados e infinitas possibilidades. Quero todos os talvez, depois quero todos os sins. So assim entao chegar e olhar naqueles olhos de acaso, olhos de momento, de desespero e porens e dizer não a ela. Dizer não a ela no lugar de dizer ela ao não.

terça-feira, 24 de março de 2009

Estamos com fome de amor

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.
Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz!

Arnaldo Jabor

Obrigado por me enviar isso Luciana, concordo em grau, numero e genero!