Loucuras e sandices descritas de uma maneira tanto normal qto fora de pespectiva. Um amontoado de palavras q busca trazer consolo, alegria, tristeza e qlqr sentimento q se qeria passar p qm passar...
Fui novamente despertado pela manhã. A tanto que não acordo. Meus primeiros sentidos vieram da boca. Vestígios do gosto das bebidas, o seco das fumaças e o úmido das salivas.
A cabeça apertava numa sutil ressaca, mais moral que física. Os olhos doendo e ardendo e me mostraram meu desleixe com meus cabelos, barba e bigodes.
Mecanicamente, fiz tudo que sempre faço pela manhã para poder começar o meu dia (louco para terminá-lo). Sai de casa querendo voltar para a cama. Curti cada hora, como um paciente na sala de espera de seu dentista, louco para que chegue sua vez.
Assim o dia se foi e eu vou para cama pedindo que ele não volte.
No meio do caminho tinha uma porra de uma pedra tinha uma porra de uma pedra no meio do caminho tinha uma porra de uma pedra no meio do caminho tinha uma porra de uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida do meu dedão tão esfolado. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma porra de uma pedra tinha uma porra de uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma porra de uma pedra.
Eles sentaram olhando juntos algumas fotos. Apenas algo para fazer quando a conversa acabou. Ela via a fotografa e entregava a ele perguntando alguma curiosidade sobre a imagem ou fazendo um elogio. As fotos seguiam envelhecendo a cada “onde foi isso” ou “que lugar lindo”. Até que chegou a momentos de um passado remoto, anunciados por um “ah dessa eu me lembro”.
Perdida entra as demais estava uma fotos deles juntos. No aniversario dela, ele de chapéu e óculos de sol estilo aviador. Ela com uma camisa vermelha que ambos adoravam (bem por isso ela usava tanto). Ela sentado no colo dele, sorriam como se não houvesse no mundo lugar melhor para se estar.
Eles pararam e ficaram refletindo aquela foto. Até que ela quebrou o silencio: “Você não tinha rasgado essa?”. Ele fez uma cara de envergonhado e disse entre dentes: “Revelei outra”.
Mais alguns minutos de apreciar a imagem ou aqueles velhos momentos e num suspiro ele soltou um pensamento: “é uma pena”. Ela olhou pra ele com a certeza nos olhos: “Realmente, parecia que daria certo um dia. Mas iria demorar muito...”. Ele interrompeu: “Não! A muito eu cansei de lamentar isso. A pena é outra”. Uma duvida/espanto brilhou na cara dela: “Qual seria então?”. Ele abriu um sorriso de serenidade: “Uma pena que nenhuma dessas pessoas exista mais! Pareciam tão felizes...” Ela interrompeu: “Elas não são agente?” nunca fora muito boa em entender os pensamentos dele. Ele nunca cansou de tentar explica-los a ela: “Não, realmente não são. Tenho até inveja dessas pessoas que não vejo a tanto tempo e da felicidade delas. Somos hoje dois estranhos deles, se eles nos visse não reconheceriam com certeza.”
Uma lagrima veio aos olhos dela, os dele já estavam cheios delas. Ela se levantou e pensou em algo diferente para fazerem dizendo estar cansada de ver fotos.
Do outro lado da porta a vida seguia seu curso normal.
Acordei três vezes hoje. O telefonema de um grande amigo e despertador não foram suficientes para me desgrudar da cama. Somente após o terceiro despertar resolvi me levantar.
Antes de qualquer coisa, andei só de cueca pela casa para ter certeza de que tudo estava no seu devido lugar. E estava. Eu claro, esperava que não estivesse. Gostaria de ter me acordado alguns anos antes. Não aconteceu, acordei hoje mesmo.
Depois da certeza fui ao banheiro. Olhei-me no espelho e procurei logo meus olhos. Encontrei tão fácil. Acho que já me acostumei com o local onde eles estão. Olhei bem fundo. Dentro dele ainda estavam as alguns traços vermelhos me lembrando das minhas ações na noite anterior.
Concentrei-me e olhei ainda mais fundo. Finalmente me vi. A partir desse contato olho a olho que tive comigo mesmo tive certeza de algo que venho me questionando há certo tempo. Perdi meus dons. Todos eles. Das luzes as palavras. Tenho hoje o espectro disforme de tudo que já fiz um dia. Assim como a fama disseminada pela amizade de um potencial que um dia poderia vir a ter.
Fui com o passar dos dias me tornando de tudo que eu era para uma serie de nãos. Não sorri. Não amar. Não amado ser. Não fui. Não tive. Não fiz. Não conquistei. Não lutei. Não, não e nãos...
Duvido até mesmo que reste lá dentro algum vestígio do monstrinho verde da esperança. Creio que reste apenas vestígios de vida, enquanto não surge os primeiros traços de morte.
Ela veio com um sorriso largo e os olhos brilhantes.
Fazia muito tempo que não se viam e das ultimas vezes vinham apenas se vendo. Mantinham-se de longe. Trocavam um olhar só para saber que um viu o outro. Depois passavam a se observar de longe, sutilmente, para que não se percebessem.
Dessa vez, quando os olhares se encontraram ele mandou um sorriso para ela. Foi só uma levantadinha das pontas da boca. Sendo que, na situação em que eles se encontravam, aquilo valia como um imenso sorriso.
Ela, longe, respondeu com um sorriso bem mais largo, jogando a cabeça um pouco para direita. Era do seu feitio aquele sorriso, mesmo que fosse falso. Ele não saberia distinguir, claro.
Junto com o sorriso veio a coragem. Então ela chegou perto com aquele tipo de conversa trivial: “Como você esta?” “como esta a família?” “Os estudos?” “O trabalho”... Tudo muito mal respondido por ele que quase não fez perguntas. Falou apenas o necessário. Uma piadinha às vezes quando a camada de gelo entre eles estava espessa demais.
Com um tempo alguns indícios de uma intimidade que não existe mais começaram a surgir. Aproveitando esse ensejo ela pergunta: “Já deixou de me amar?”. Ele olhou como se duvidasse que ela perguntaria aquilo, ou como se tudo fosse muito obvio: “Não, mas aprendi a viver sem você.”
A conversa perdeu o desenrolar por instantes. Pareceram horas para eles. Então alguém puxou um novo assunto que volta a se desenrolar como no começo. Perguntas habituais, sociais. Coisas que não se quer saber na verdade, muito menos se quer dizer.
De repente algum amigo o chamou, ou a ela. Eles se despediram formalmente. Um abraço desajeitado, cheio de embaraço e ambos se dão as costas.
Ele começou uma oração silenciosa que pedia que ela voltasse para dizer que o quer de volta, ou apenas para lhe dar mais uns minutos dela. Ele não sabia o que ela estava pensando. Resolveu então, esquecer isso por mais tempo.
Percebeu que realmente aprendeu a fazer isso muito rápido. Quando chegou aos amigos jurava que nem lembrava mais.
A noite voltou a sua total normalidade. Ambos vão ao menos fingir se divertirem. Ela teve um pouco mais de problema nisso. Devido a experiência ele o fez muito bem, quase imperceptível.
Tudo volta a exalar um ar de comum e eles, como quem respira, passaram a noite se observando, sutilmente, para que não se percebessem.
E hoje, sim, você me olha com curiosidade. Aquele olhar surpreso de quem achou algo. Não de quem acha algo que perdeu, mas que procurava.
Já eu, sentado em minha cadeira distante, deitado na minha timidez, viajando na minha carência, fui desperto por esse olhar. Vi verter em mim todas as boas sensações de ser achado. Correspondo os olhares da forma de quem pergunta: “eu?”.
Passo por você vezes e vezes. Você não me vê. Não é que fingi não ver, é que eu não me mostro e assim não tem como você me ver.
Então hoje, não, estou lá no mesmo lugar da outra vez. Sentado, quase de pé na esperança de você me olhar novamente. Você olha, mas não com o mesmo brilho. Depois de encontrar meus olhos você desvia os seus como quem já cansou do que teve.
Nisso eu, sento novamente na desilusão e volto a viajar em outra coisa qualquer. Qualquer que seja a coisa. Qualquer coisa seja a viajem.
Eu acredito em Amor. Eu acredito em D’us. Eu acredito em Paraíso. Eu acredito na Fé. Eu acredito na Amizade. Eu acredito na Lealdade. Eu acredito na Verdade. Eu acredito até na virgindade de Britney Spears, de Sandy e da sobrinha de Gretchen. Só não acredito na Humanidade.
- Não Alice, Não é Tolice. Olhar para o inicio da estrada quando se esta no meio é tão importante quanto olhar para o final. Saber aonde se quer chegar pesa, mas como se pode aproveitar a gloria de saber como se chegou?
Alice, racional, respondeu:
- A gloria provem da vitória e não de como se chegou a ela.
O chapeleiro, cético, retrucou:
- Então Alice, me explique você porque os morangos maduros da cesta que você ganhou não estavam tão suculentos quantos esses, quase verdes, que nos esfolamos para colher?
Alice ainda levantou o dedo indicador e abriu a boca para dar a resposta ao chapeleiro, mas as palavras falharam. Faltaram na verdade. A razão de Alice perderia para a loucura do Chapeleiro mais uma vez. A menina resolveu dar atenção a algo mais importante. Pegou um morango meio verde meio róseo e pos todo na boca. Mastigou três vezes e suspirou se rendendo ao prazer do seu sabor.
Aos prantos, sentado ao chão perto do velho acomodado em sua cadeira de balanço, ele descrevia mais um amor que “não deu certo”. Toda aquela ladainha que todo mundo conhece de cor. Fiz mundos e fundos, me superei, me privei. Tudo aquilo que agente sabe que todo mundo faz e não faz.
Quando já estava cansado de falar, ou por necessidade de ouvir, ele pediu algum tipo de conselho ao velho, que responde:
- Ame meu filho. Ame o maximo que você puder e quando achar que não pode mais, ame mais ainda.
Claro que aquilo parecia a coisa mais inútil de se ouvir naquele momento. Tudo que se ouve nessas horas parece inútil na verdade. E talvez por descaso, falta de compreensão ou mesmo burrice ele não seguiu o conselho que recebeu.
Horas, dias, meses e anos depois ele era o velho na cadeira de balanço e alguém jovem chorava as mesmas lamurias que ele tinha chorado naquele momento. Mesmo sabendo cada trecho da historia que estava por vir, ele ouviu pacientemente. E quando percebeu que havia chegado a hora em que o jovem tinha cansado de falar ou necessidade de ouvir, ele disse:
- Ame meu filho. Ame o maximo que você puder e quando achar que não pode mais, ame mais ainda.
De forma mais inteligente que a dele no passado, o jovem perguntou porque. Ele reconhecendo que deveria ter feito o mesmo quando era sua vez deixou uma lagrima rolar no rosto. Abraçou o jovem, olhou nos seus olhos e disse:
Hoje, em alguns momentos do meu dia que quase não parecem meu dia, tive tempo de pensar em te ligar. Apenas ligar. Para falar qualquer coisa. Perguntar como foi seu dia. Dizer alguma eventualidade. Ouvir tua voz. Peguei o telefone algumas vezes, mas desistir em todas. Pensei se podia fazer, se devia fazer. Se você receberia bem, a final não sei seus gostos. Se você poderia falar, afinal não sei seus horários. Pensei no que poderia falar e no que não deveria nem pensar. Passei tanto tempo nisso que acabei devorado por mais uma onda de tumulto do meu dia e pensar em você foi mais de você que pude ter quando queria muito mais.
Era muito bom para ser para mim. Não, não podia ser para mim. Não desse jeito, não com tanta perfeição.
Aquele brilho nos olhos, não podia ser para mim. Aqueles beijos não eram meus, não podiam ser meus. Eu não teria direito a tanto, ou a tal.
Cai nas graças do momento, mesmo sabendo que não era meu. Que não podia ser meu. As asas cansadas se aninharam no aconchego daqueles braços. Meu corpo frio se aqueceu no calor daqueles abraços.
Mas nada daquilo era meu e por devido, me foi tirado, assim como foi dado. Era muito para ser para mim, pois era muito pouco. Podia ser de qualquer ser humano, mas não meu. Nunca poderia ser meu. Nunca poderá ser meu...
Hoje o barulho da chuva tem outro significado.Como toda mudança, doeu para que ao ouvir a chuva cair eu pensasse em outra coisa, em outros momentos.
Antes os pingos ao chão anunciavam um sono doce, ambos a se esquentar sob os lençóis abraçados na cama de solteiro. Dormir com seus cabelos no meu nariz. Às vezes trazendo seu cheiro em outras fazendo cócegas. Aperta-la contra meu corpo, correr a mão da sua cintura ate as coxas. Acordar varias vezes a noite com o ranger de seus dentes ainda acordados. Finalmente, acordar para vê-la serena e linda, nos seus últimos minutos de sono.
Quantas chuvas clamaram por isso e não tiveram. Deitei só, na esperança de que em algum momento ela aparecesse como por encanto, dizendo apenas “cheguei”. Não seria necessário dizer mais nada. Perguntas, pensamentos e duvidas seria para a manhã seguinte (caso ela viesse a existir).
Procurei o seu cheiro no travesseiro, nos lençóis. Ate achava vez ou outra. Por pouco segundos, mas jurava que era ele. Meus braços vagaram pela cama que agora parecia tão grande. Nem mesmo os lenços conseguiram afastar o frio.
Assim foram as noites de chuva de um passado não muito distante. (Faz um ou dois séculos?)
Hoje é diferente. Novamente a chuva lembra aconchego, mas de modo diferente. De um jeito especial, mas que depende mais de mim do que de outra pessoa. Escolho quanto espaço terei na cama. Hoje sinto o cheiro que quero. Nada mais me acorda. Prefiro ser assistido ao dormir a assistir o sono alheio.
O barulho da chuva hoje me lembra quão efêmeros são os bons momentos. Que se não forem intensamente aproveitados eles podem ser protagonistas de momentos desesperados de tristeza.
O barulho da chuva hoje, me da ordem de vida. Eu a acato e vivo.
Era meu olhar aos olhos delas. Depois era eu dentro dos olhos dela. Meu nome na boca dela, minha língua na boca dela, mais e mais de mim na boca dela.
A minha mão corria em busca dela. Cada curva que passava eu não sabia mais se era eu ou se era ela. Eram curvas, pêlos e fendas. Apenas isso. Sem dono, nem fim.
Era eu dentro dela. Ela a me devorar. Com todas as bocas, com todas as mãos. Buscado o palato quente dos sentimentos.
As peles eram uma só pele. O suor das sensações era o que as grudava. Grudava e davam um gosto salubre as palavras. Grudava e matava a sede das línguas.
Eram faíscas que começavam brotar no ar. Brotavam nos corpos. Tenho duvidas se não era apenas um corpo. De tão próximos, de tão dentro um do outro. Contrariando as leis da física.
As faíscas ascenderam o estopim da paixão. Que foi queimando deliciosamente pelas colunas daquele corpo único que eram dois. Uma explosão! Os corações se encarregaram do estrondo. As bocas cuidaram dos gritos de surpresa. Os pulmões eram responsáveis pela respiração pesada de emoção.
Eram dois corpos sobre os lençóis. Juntos, muitos juntos. Vejo-me novamente nos olhos dela. Minha mão corre seu rosto e afasta uma mecha de cabelo. Recebo um sorriso e devolvo. Beijo seus lábios. Procuro todas as palavras que conheço para agradecer aquele momento. Ela só diz “eu te amo” e faz bem melhor que eu.
A paixão começa a dar lugar ao amor pouco a pouco. Mas os corpos não desgrudam. Dentro daquelas paredes todo parece estar no lugar certo. Lá fora está tudo errado. Dentro tudo é perfeito. Lá fora mundo está acabando. No entanto, nenhum dos dois está dando a devida atenção. Ela fica indiferente. Já eu, desejo é que o mundo exploda mesmo.
Às vezes me perguntam de onde tiro tudo que escrevo. De certo não vivi todas as minhas letras. Nem nunca fui tão triste, nem tão feliz. Mas nunca soube dizer de onde tudo vem. Em certos momentos até eu quero saber. Olho para o papel, vejo as palavras e pergunto de onde elas vêm. Elas nunca me respondem, então eu tento inventar. Dizer que vêm de D’us não satisfaz alguém tão cético quanto eu. Dizer que saem da minha cabeça é prepotência demais até mesmo para mim. Olho para o meu ombro, desço pelo braço, antebraço, dedos, unhas e olho como o detetive que encontra o bandido. Faço minha melhor cara de mau e dou voz de prisão à caneta que corre pelo papel. Encontrei meu culpado, achei minha caixa de Pandora. Devo trancafia-la de vez ou inundar o mundo com todo tipo de aberração que existe lá dentro. Penso bastante nos prós e contras de tudo isso, mas deixo a caneta correr...
Eu disse “alô”. Do outro lado do telefone saiu uma voz que eu jurava que nunca mais iria ouvir. Pedi para que meus ouvidos estivessem me enganando e perguntei para ter certeza. Um “quem é” de quem já sabe quem é.
Sim, era ela. Falou seu nome como se eu tivesse obrigação de ter lembrado. Tentei desconversar com um “ah, mas faz tanto tempo”. Gaguejei mais vezes do que podia ou devia.
Puta merda, era ela. O que queria? Para que inferno foi me ligar? Perguntou como eu ia. Não como eu estava, mas como eu ia. O que alguém quer saber quando pergunta como se vai? Eu disse que ia como sempre, um pé na frente do outro. Devagar. Sempre para frente. Bom, às vezes para os lados, principalmente quando preciso desviar de quem vem na contramão.
Ela riu. Eu lembrei daquele riso. Era só meu. Só usava quando eu falava bobagens para ela rir. Ela usou exatamente aquele riso e felicitou por estar bem.
Corrigi, claro. Disse que ela tinha perguntado como eu ia e não como estava. Como sabia se eu estava bem. Ela disse que só sabia e perguntei porque ela ligou se sabia. Disse que queria ter certeza.
Alguns minutos de silencio.
Ela disse para eu falar. Eu perguntei “o que”. Ela disse para falar qualquer coisa e perguntou se eu não queria saber como ela estava ou como ia. Eu respondi que não queria saber nem uma coisa nem outra. Fui sincero. Duro, mas sincero. Tentei não fazer, mas fui sincero.
Ela disse que então tava. Mais silencio.
Ela ia começar a falar e eu também. Ela foi educada e me deu a vez de falar. Eu disse “tchau”. Assim só tchau. Daquele jeito regionalista quase esquecendo o tê. Ela disse tchau e ia dizendo beijo, mas desistiu no be e disse abraço.
Depois eu só ouvi “tuuuuu” de outra voz mais conhecida. Demorei algum tempo escutando isso, como se esperasse a voz dela voltar. Não voltou.
Fui para o meu quarto, deitei na cama, procurei um cheiro que estava sentindo na memória e então durmi.
Que o presente virou passado e que as feridas se fecharam?
Elas fecham mesmo ao perdem a sensibilidade?
Voltam a doer por serem tocadas ou por serem reabertas?
E quando a dor das feridas vira prazer, é por que o tempo passou ou porque se vira masoquista?
O tempo é problema e solução.
O tempo é motivo para o fim do amor, da vida e também do sofrimento, da dor...
O tempo é medico e doença.
- Dr Tempo, eu vi aqui no seu consultório porque fui acometido do mal do tempo. Estou com todos os sintomas. Saudade das décadas do passado distante, ódio pelos anos do passado próximo, dormência nos dias do presente e peso para chegar às horas do futuro. Creio já esta em fase terminal devido a intensidade dos sintomas doutor. O que devo fazer? Isso tem remédio?
- Tem sim! Sente e espere. O remédio tempo vai fazer efeito logo e você nem precisa tomar.
Era um lugar separado. Grades. Tudo isso no meio de uma grande casa de alegria. Um lugar separado para aqueles que têm o mau costume de respirar fumaça. Estava eu lá. Fazendo companhia a solidão dos outros.
Outros estranhos exibindo suas roupas mais chamativas, de mais personalidade de que os próprios donos. A fumaça enchia a sala saindo dos palitos brancos de ponta vermelha. E eu estava lá. Sozinho. Fazendo companhia a solidão dos outros.
Suguei um pouco da fumaça. Esperei que ela corresse no meu sangue e soprei boa parte num jato uniforme. Na nuca os efeitos da fumaça começam a surgir lentamente. Um formigamento, a cabeça mais leve. Assim os pensamentos voam mais rápido.
Eu tento acompanhar todos. Só tento, sem conseguir. Na verdade minha meta era só tentar mesmo. Alcanço um e fico ruminando ele por alguns momentos. Solto e pego outro e mais outro e outro... me percebo só com meus pensamentos. Fazendo companhia a solidão dos outros.
Penso em quase tudo. Quase tudo. Só não acompanho todos os pensamentos. Eles vão passando, se misturam a fumaça que se mistura com a fumaça dos outros e sai pelas janelas. Fora, Pedro é que faz a festa. Esta tudo molhado. O céu, os telhados, as paredes, os carros e até os paralepípedos estavam molhados, úmidos. Minha boca estava seca. Por causa da fumaça talvez, ou por estar só. Fazendo companhia a solidão dos outros.
Penso em que poderia quebrar tudo isso se não eu. Quem poderia transformar minha charneca num jardim. Um jardim que tivesse ao menos um pouco mais de cor. Um jardim que tivesse ao menos uma Rosa. Seria assim eu cuidando da Rosa e ela fazendo da minha solidão algo de um passado distante. Ficaria ela e eu deixando na solidão a solidão dos outros.
Suas mãos em meu rosto me chamaram implicitamente para um beijo. Mesmo que não quisesse seria impossível resistir e como eu queria! Acordei ainda com o peso da noite anterior na cabeça e ainda sonhando que esse momento poderia acontecer. Tomei banho pensando nisso, me vesti pensando nisso. Até não vesti a roupa que ela me pediu só para enganar que não estava pensando nisso. Enganar a quem? Somente a mim lógico.
Cheguei mais cedo que o normal, fiz mais amigos que o normal e ela não chegava. Decidi que devia aproveitar a festa e ela não iria chegar ou não iria me achar como em vezes anteriores.
Errei! E como adorei aquele erro. Ela me abraçou, beijou-me o rosto falou depois saiu. Reencontramos-nos e mudamos de festa.
Conversamos, bebemos, encontramos amigos, andamos e quando não me lembro o que vi que suas mãos em meu rosto me chamaram implicitamente para um beijo. Mesmo que não quisesse seria impossível resistir e como eu queria!
Beijei! E o mundo sumiu, a musica parou, o calor num era mais nem frio. Eu só sentia minha mão nas costas dela e dela na minha nuca. Sentia nossos lábios. Sentia o coração, não o meu. Sentia nossos sentidos, por vezes um, por outras um milhão e não quis mais parar de sentir...
...acordei vendo o nascer do sol em plena segunda-feira nublada as seis da manhã...
Eu queria o dom dos poetas e afogar minhas magoas nas palavras ou morrer afogado nas letras que elas produzirem. Escutar de alguem que leu todo meu desespero um sutil: "que lindo". Não deixar o meu olhar fosco de tristeza e dividir seu brilho com a tinta que levara para a eternidade a descriçao lirica de meu sofrimento. Fazer reverencias (baixando a cabeça) a aplausos destinados a leitura pomposa de minhas desçraças. Ah meu D... É isso! Talvez seja de uma fé num d'us que eu precise. Um d'us exigente e caprichoso que me faça seguir pelo caminho de suas maravilhas frivolas, por entre as pontes do arco-iris ate um pote de conformismo. Um ser que me presentei com bitolas douradas, corte-me as asas, ate minhas maos e pes e me proiba de pensar e criar. O sofrimento veio a Adão e Eva quando eles quiseram produzir e serem criativos. A magica da vida é acompanhada com todo tipo de paradoxo torturante. Ser um d'us não é assistir a desenvoltura de uma fazenda de formigas, e sim, sentir toda a dor necessaria para se criar algo mais e ouvir alguem comentar do outro lado do vidro: - Não é lindo? - É a cara do pai!
"Entrego-vos meu novo mandamento: - Eu sou meu D'us, não amarei outro se não a mim."
É tdo um jogo... Depende somente do angulo da luz, do angulo de qm olha... É mais geometria do que vida... A vida poderia ser mais matematica do que é normalmente... Mas ai não seria vida... Seria uma tabela de cossenos...
Acordou com o toque do despertador. De bruços assim como tinha ido dormir. Estava apenas de cueca e coberto pelo lençol. Virou-se e o resto do corpo foi acordando. De baixo para cima. Começou sentindo os pés, grandes demais para o resto do corpo. As pernas finas e peludas deram sinal de vida. O joelho, ainda machucado pela queda no fim de semana, se mostrou presente. Depois foi a vez das coxas flácidas e magras, seguidas pelo pênis rígido pelo amanhecer. A barriga seca acordou junto com o peito formado quase pelas costelas apenas. Dando continuidade o pescoço despertou para que todo corpo se unisse a cabeça grande e oval. Completamente acordado (ao menos no que se refere ao físico) ele levantou e foi ao banheiro. Urinou por mais tempo do que fazia no resto do dia, seu pênis finalmente ficou flácido. Ficou próximo ao chuveiro e mesmo com ele aberto pensou algumas vezes antes de ficar sobre a água fria. Tomou coragem e o fez. Tomou um banho rápido, se enrolou na toalha sem se enxugar como devia e foi para frente da pia. Escovou os dentes até as gengivas sangrarem. Depois escovou os cabelos com menos empenho. Saindo do banheiro ainda pingando a água do banho, pegou a primeira cueca limpa que estava na gaveta entreaberta. Vestiu. Depois vestiu uma caça de jeans azul escuro. Atou o cinto. Passou desodorante nas axilas, daqueles com uma bolinha na ponta. Abriu outra gaveta e demorou um pouco escolhendo uma camisa. Acabou por vestir uma camisa preta com detalhes azuis. Velha, mas não aparentava tanto. O tênis completou o vestuário do dia. Pos perfume, pegou a bolsa e saiu. Foi andando até o ponto do ônibus, passou pela vizinha fofoqueira e deu seu bom dia falso, recebeu um quase tão falso. Acenou para o jornaleiro. Atravessou a avenida e finalmente chegou ao ponto. Após cinco minutos de espera achou estranho que tão poucas pessoas estavam esperando a condução. Mais doze minutos e ele resolveu olhar o relógio. Só então percebeu que era domingo e não teria expediente no trabalho. Voltou pelo mesmo caminho. Acenou novamente para o jornaleiro, a vizinha não estava mais na rua. Entrou em casa, voltou para quarto, tirou toda a roupa. Toda mesmo, ficou completamente nu. Deitou na cama ainda quentinha, se cobriu com o lençol que ainda guardava seu cheiro e se entregou aos braços de Morpheu para o sono dos justos. Afinal de contas era domingo e não teria expediente no trabalho.