segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Das recordaçoões dos Satiros e Ninfas

Eles sentaram olhando juntos algumas fotos. Apenas algo para fazer quando a conversa acabou. Ela via a fotografa e entregava a ele perguntando alguma curiosidade sobre a imagem ou fazendo um elogio. As fotos seguiam envelhecendo a cada “onde foi isso” ou “que lugar lindo”. Até que chegou a momentos de um passado remoto, anunciados por um “ah dessa eu me lembro”.

Perdida entra as demais estava uma fotos deles juntos. No aniversario dela, ele de chapéu e óculos de sol estilo aviador. Ela com uma camisa vermelha que ambos adoravam (bem por isso ela usava tanto). Ela sentado no colo dele, sorriam como se não houvesse no mundo lugar melhor para se estar.

Eles pararam e ficaram refletindo aquela foto. Até que ela quebrou o silencio: “Você não tinha rasgado essa?”. Ele fez uma cara de envergonhado e disse entre dentes: “Revelei outra”.

Mais alguns minutos de apreciar a imagem ou aqueles velhos momentos e num suspiro ele soltou um pensamento: “é uma pena”. Ela olhou pra ele com a certeza nos olhos: “Realmente, parecia que daria certo um dia. Mas iria demorar muito...”. Ele interrompeu: “Não! A muito eu cansei de lamentar isso. A pena é outra”. Uma duvida/espanto brilhou na cara dela: “Qual seria então?”. Ele abriu um sorriso de serenidade: “Uma pena que nenhuma dessas pessoas exista mais! Pareciam tão felizes...” Ela interrompeu: “Elas não são agente?” nunca fora muito boa em entender os pensamentos dele. Ele nunca cansou de tentar explica-los a ela: “Não, realmente não são. Tenho até inveja dessas pessoas que não vejo a tanto tempo e da felicidade delas. Somos hoje dois estranhos deles, se eles nos visse não reconheceriam com certeza.”

Uma lagrima veio aos olhos dela, os dele já estavam cheios delas. Ela se levantou e pensou em algo diferente para fazerem dizendo estar cansada de ver fotos.

Do outro lado da porta a vida seguia seu curso normal.

3 comentários:

PR disse...

deve ser por isso que digo que todo dia morro e nasço.
em resposta ao seu comentário: tudo que escrevo no meu blog é quase sempre no sentido conotativo.
abraços.

E a colombina ainda samba. disse...

quando leio seu blog me apaixono por você.

lilcandi bisser disse...

Realmente fico irritada comigo quando leio coisas assim! Sou há tempos adepta do "escreva o que lhe vem a cabeça" e nunca me saio tão bem quanto os mais jovens ou menos experientes. Não que vc o seja, nem uma coisa nem outra; mas me irrito comigo. Argh!
Parabéns pelo texto,seria algo que eu adoraria ter escrito! amei!